Prevenção

Jovens também são suscetíveis ao AVC, diz especialista

O Sistema único de Saúde (SUS) registrou cerca de 27 mil internações pela doença, na faixa etária de 15 a 39 anos, entre 2014 e abril de 2017

15:24 · 04.12.2017 / atualizado às 15:25
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Soma dos fatores de risco modificáveis, tais como tabagismo, estresse e ingestão excessiva de bebidas alcóolicas, podem ser os principais motivos para justificar os casos de AVC nos jovens ( Foto: Divulgação )

Segunda causa mais comum de morte no mundo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC), tem como um dos fatores de risco não-modificável o aumento da idade, além de figurar como a principal causa de incapacidade física globalmente. Mas, o que poucos sabem é que, cada vez mais, a doença também está acometendo jovens. Segundo dados do Ministério da Saúde, foram registradas aproximadamente 27 mil internações no SUS por AVC na faixa etária de 15 a 39 anos, entre 2014 e abril de 2017.

Já o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), também pertencente ao órgão, informou que 3.365 pacientes de 15 a 39 anos morreram devido à doença entre 2010 e 2015. O Dr. Octávio Marques Pontes Neto, neurologista e presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV), explica que o controle inadequado e a soma dos fatores de risco modificáveis, tais como hipertensão arterial, diabetes, enxaqueca, estresse, ingestão excessiva de bebidas alcóolicas, tabagismo, sedentarismo e obesidade, podem ser os principais motivos para justificar os números. O médico destaca entre os fatores de risco o uso crescente de esteróides anabolizantes entre os jovens, além do uso de anticoncepcionais conjugados entre as mulheres.

"O AVC é mais comum a partir dos 50 anos, além da incidência dobrar a cada década a partir dessa idade. Mas o cuidado e a prevenção devem ser feitos desde a infância, pois o acidente vascular cerebral pode acontecer em qualquer idade, deixando sequelas graves e até mesmo incapacitantes para o resto da vida, como dificuldades de linguagem, movimentação, visuais, cognitivas, de memória e até de comportamento", afirma o especialista.

Doença

85% dos casos de AVC ocorrem na forma isquêmica, ou seja, quando há a obstrução em um vaso sanguíneo que fornece sangue ao cérebro, bloqueando a passagem de oxigênio para os neurônios. Assim, a cada minuto que se passa, um paciente não tratado perde, aproximadamente, 1,9 milhão deles. Já os outros 15% são referentes à forma hemorrágica, que ocorre quando há o rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro, causando sangramento e aumento da pressão no crânio. Portanto, a urgência no atendimento ao paciente se torna fundamental, quanto mais tempo se perde, mais o cérebro é impactado.

Tempo

"O AVC é uma emergência médica. Em analogia, é como se um incêndio consumisse o tecido cerebral. Assim, tempo perdido é cérebro perdido", explica o neurologista. A recomendação do médico é ligar para o SAMU (192), assim que os sintomas, como assimetria facial, fraqueza de um lado do corpo, fala enrolada e dificuldade de movimentação, forem identificados, pois o paciente será encaminhado para uma unidade especializada.

A fim de conscientizar a população sobre essa ideia, foi criada pela Rede Brasil AVC e pela Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, com o apoio da Boehringer Ingelheim, a campanha "A Vida Conta – Cada minuto faz diferença". A iniciativa está acontecendo na fanpage da Rede Brasil AVC no Facebook, com materiais educativos sobre a doença.

"Importante ressaltar que há tratamento. Para o caso do AVC isquêmico, o mais comum, existe o medicamento trombolítico, utilizado para restaurar o fluxo sanguíneo do vaso entupido, podendo ser aplicado em até 4h30 após o início dos sintomas no hospital capacitado, com boas chances de reversão do quadro do paciente", pontua Marques. Já para o AVC hemorrágico, a depender do tamanho da lesão e de sua localização, o tratamento pode ser feito pela administração de medicamentos ou por procedimento cirúrgico.

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