Alteração do campo visual

Incidência de glaucoma triplica após os 70 anos de idade

A doença não tem sintomas e o tratamento precoce é fundamental para evitar a perda gradual e irreversível da visão

12:00 · 22.05.2018
Glaucoma
Mesmo sendo uma doença irreversível, o glaucoma pode ser tratado com colírios, laser ou intervenção cirúrgica, quando necessário ( Foto: Kid Júnior )

No próximo sábado, 26 de maio, é lembrado o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, doença que causa uma perda gradual da visão. A doença atinge entre 1% a 2% da população, com a incidência triplicada após os 70 anos de idade. Em 2003, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia estimava que existiam no Brasil 900 mil pessoas portadoras glaucoma, sendo que dessas, 720 mil ainda não haviam sido diagnosticadas

O glaucoma é uma doença ocular progressiva causada, principalmente, pelo aumento da pressão intraocular, que lesiona o nervo óptico e causa alteração do campo visual. “É uma doença que não apresenta sintomas nas fases iniciais. Quando eles ocorrem, geralmente, é em estágios mais avançados da doença quando já houve perda acentuada e irreversível da visão”, alerta a oftalmologista 

 “O nervo óptico entra em sofrimento e perde a capacidade de captar e transmitir os raios luminosos. Isso acaba ocasionando uma morte nas células que não é possível recuperar”, explica o Dr. Geraldo Canto. Toda a perda de visão que ocorre não pode ser recuperada. “O tratamento somente estaciona a doença, as células que já morreram não voltam, mas aquelas que ainda estão em sofrimento, podem ser recuperadas por meio do tratamento”, salienta a Dra. Ana Paula Canto.

Mesmo sendo uma doença irreversível, pode ser tratada com colírios, laser ou intervenção cirúrgica, quando necessário. Esse tratamento estabiliza a doença, evitando uma progressão para a cegueira. “Por isso, a importância do acompanhamento médico regular, pois diagnóstico precoce é fundamental. Iniciando o tratamento no estágio inicial do glaucoma, podemos evitar grandes perdas de visão”, orienta a oftalmologista.  Exame

Na consulta, o médico mede a pressão ocular do paciente, observa o fundo do olho e a escavação do nervo óptico, que aumenta com a progressão do glaucoma.

“Existem exames complementares para diagnosticar e acompanhar a doença. Esses exames são a gonioscopia, que avalia o local de drenagem do humor aquoso (líquido de dentro do olho); a campimetria computadorizada, que avalia o campo visual; curvas tensionais para verificar a pressão ocular em diferentes horários do dia, a estereofotografia de papila e a tomografia de papila, que avaliam o comprometimento do nervo óptico para quantificar a lesão ocular”, esclarece.

Fatores de risco

Qualquer pessoa pode desenvolver o glaucoma, mas a incidência é maior em familiares de portadores da doença, sendo que parentes de 1º grau têm dez vezes mais chance de desenvolver a doença.

“Embora a origem genética seja a mais comum, podendo afetar crianças também, o problema também é frequente em pessoas com mais de 40 anos; afrodescendentes, que apresentam a doença com maior dificuldade de controle; pessoas com alto grau de miopia; diabéticos que já tiveram outras doenças intraoculares; portadores de doenças autoimunes e pacientes que fazem uso indiscriminado de colírio corticoide”, revelam os oftalmologistas.  

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