Prevenção

Glaucoma é a primeira causa de cegueira irreversível no mundo

Oftalmologista alerta para a importância de seguir corretamente o tratamento da doença

09:20 · 16.03.2018
colírio
O colírio é a forma mais comumente utilizada para o tratamento do glaucoma ( Foto: Divulgação )

Tão importante quanto manter os exames oftalmológicos em dia, é seguir corretamente o tratamento para glaucoma prescrito pelo médico. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença é responsável por 10% de casos de cegueira e é a primeira causa de cegueira não reversível no mundo.

O glaucoma é uma doença que lesiona o nervo óptico e que gradualmente vai provocando a perda do campo de visão podendo levar à cegueira absoluta. É uma doença assintomática nas fases iniciais, progressiva e sem cura. A OMS prevê que serão registrados 1,2 milhões de novos casos anualmente, somando 60 milhões de pessoas em todo o mundo e uma estimativa de um milhão de brasileiros acima de 40 anos sofrendo da doença.

Os principais fatores de risco da doença estão o aumento da pressão intraocular, idade avançada, histórico familiar e etnia, em que indivíduos afrodescendentes e de origem latina estão mais propensos a desenvolver a doença. Existem diversos tipos de glaucoma, e o mais frequente é o de ângulo aberto, que causa o aumento gradativo da pressão, assim como a perda do campo visual. No glaucoma de ângulo fechado, condição mais rara, há o bloqueio súbito da saída do humor aquoso, substância que regula a pressão ocular, causando uma dor aguda.

Tratamento

Como o glaucoma não tem cura, o tratamento consiste em retardar a progressão da doença e as terapias existentes atualmente objetivam reduzir a pressão intraocular, que é o principal fator de risco para a doença. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), o colírio é a forma mais comumente utilizada para o tratamento. Atualmente, há no mercado diversos colírios que atuam de diferentes formas em nossos olhos, porém sempre com a finalidade de reduzir a pressão intraocular que o paciente apresenta no momento da consulta médica. 

Além disso existem colírios com e sem conservantes, as opções sem conservantes tendem a apresentar menores índices de efeitos colaterais como desconforto, coceiras, irritação, ardor, olhos secos, entre outros. Há ainda o tratamento a laser ou, em graus mais complexos, a cirurgia, que também visam reduzir a pressão intraocular.

Eficácia

Para se tirar o maior proveito do tratamento prescrito pelo seu médico é importante seguir corretamente o horário indicado e a forma correta de pingar o colírio. 

“Seguir religiosamente o tratamento permite que a doença se mantenha estável”, ressalta Wilma Lelis Barboza, médica oftalmologista e presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma. A oftalmologista acrescenta também que esta dedicação é importante pelo fato de o glaucoma ser uma doença crônica e exigir cuidados contínuos.

"Não adianta fazer os exames, indicar o melhor tratamento se o paciente não segue as orientações. Se não usar corretamente como prescrito, a pressão intraocular sofrerá variações, o que prejudica o nervo óptico e inviabiliza todo o tratamento”, afirma.

O quanto antes for diagnosticado o glaucoma, maior a possibilidade de controlar a condição e retardar - ou até mesmo interromper a progressão - os danos no nervo óptico. "Por isso, sempre procure um médico oftalmologista para manter os exames em dia e, em caso de comprovação do glaucoma, manter a condição estável com o tratamento indicado”, finaliza a médica.

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