Alerta

Frutas cítricas podem causar manchas e queimaduras na pele

O contato com perfumes, cosméticos e álcool com posterior exposição ao sol também pode desenvolver a fitofotodermatose

14:00 · 20.02.2018
limão
Frutas cítricas, como o limão, podem manchar a pele quando ocorre o contato aliado a exposição solar ( Foto: Divulgação )

Fitofotodermatose. O nome é complicado, mas essa é uma alteração comum na pele de muitas pessoas, com o aparecimento de manchas e até queimaduras após o contato com frutas cítricas, perfumes, cosméticos e álcool com posterior exposição ao sol.

“Principalmente no caso das frutas cítricas, é bem comum no nosso país ocorrer a fitofotodermatose, que se produz pelo hábito de preparar limonadas ou laranjadas e pelo uso do limão como tempero”, explica a dermatologista Dra Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

A condição também pode ocorrer por de cosméticos que contenham substâncias derivadas das plantas. “Esse cosmético não necessariamente precisa ter o extrato da planta: às vezes ele tem um conservante, algum estabilizante ou o próprio álcool, que também são causadores da fitofotodermatose”, acrescenta.

De acordo com a médica, alguns antibióticos (principalmente com susbtâncias derivadas da penicilina) também podem causar o problema. “Em uso de antibiótico, devemos evitar a exposição ao sol porque a pele fica mais sensibilizada e a substância se deposita também na pele, podendo ter uma reação de fotomelanose, ou seja, um escurecimento da pele por conta da exposição à radiação solar (de forma geral)”, afirma.

Processo inflamatório 

A dermatose ocorre nas áreas de contato com essas substâncias e que recebem a irradiação do sol. Geralmente, elas surgem dentro das 24 horas seguintes, promovendo um processo inflamatório, e caracterizam-se por eritema como uma queimadura, eventualmente, com formação de vesículas e bolhas, dependendo da intensidade da reação.

"Pode surgir infecção secundária na evolução do caso, mas a característica principal das fitofotodermatoses é a pigmentação, que pode durar várias semanas. As manchas de pele são acastanhadas e a aplicação do limão, por exemplo, sobre a pele pode produzir queimaduras de até 3º grau. Há casos em que mesmo lavando-se as mãos, as manchas aparecem”, alerta a Dra Claudia.

Posteriormente, segundo a especialista, ocorre uma mudança de cor, a hipercromia pós-inflamatória, no qual a pele produz um aumento da produção do pigmento de melanina, que migra para as células mais superficiais, na primeira camada da pele, tentando proteger a região afetada.

Tratamento 

“Em um primeiro momento quando ocorre o processo, a gente pede para lavar muito bem com água e sabão de pH neutro, usar água termal na sequência também ajuda bastante. Os cremes à base de pró-Vitamina B5 ou ácido pantotênico fazem uma oclusão, que ajuda a restabelecer a barreira da pele", afirma.

Em relação às roupas, para não piorar o processo, elas devem principalmente ser de material 100% natural como o algodão e que protejam a região da exposição ao sol.  Quando o dermatologista faz a análise, se necessário ele vai entrar com anti-inflamatório por via oral com analgésicos e até com antibióticos. 

Quanto ao desaparecimento das manchas, a médica conta que isso ocorre de forma espontânea e gradativa, desde que a pele seja protegida da exposição ao sol, com filtros solares potentes e que contenham bloqueio físico, como óxido de zinco e dióxido de titânio.

“Alguns ativos despigmentantes podem ser utilizados para acelerar o processo. As reações mais intensas podem exigir o uso de medicamentos para seu controle, que devem ser indicados por um dermatologista”, afirma.

Precaução

Além de não usar cosméticos com álcool antes de ir ao sol e evitar exposição solar em tratamento com antibiótico, para evitar a fitofotodermatose, a médica ressalta que é muito importante nos dias quentes tomar cuidado com o manuseio de frutas cítricas (como limão, tangerina, laranja, mexerica, morango e figo), cenoura, arruda, aipo, salsinha, coentro, erva-doce, já que todos esses alimentos liberam substâncias que podem manchar e queimar a pele, após exposição solar.

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