Mitos e verdades

Fibrilação atrial: conheça a doença que altera o ritmo do coração

A doença atinge entre 1,5 e 2 milhões de pessoas no Brasil

16:00 · 10.08.2018
dor no peito
Apesar de atingir principalmente idosos acima dos 70 anos, a fibrilação atrial possui diversos fatores de risco que podem contribuir para que pessoas de qualquer idade sofram com a enfermidade ( Foto: Divulgação )

Segundo a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), o coração bate entre 60 e 100 vezes por minuto. Mas, você já sentiu o seu pulsar fora do ritmo? Em algumas situações cotidianas, como quando estamos nervosos ou praticamos exercícios físicos, é comum os batimentos cardíacos se acelerarem. Mas, atenção! O descompasso pode indicar a presença de uma condição mais séria, chamada fibrilação atrial (FA). O médico cardiologista Dr. Rodrigo Noronha esclarece mitos e verdades sobre a doença. 

- A fibrilação atrial é a arritmia cardíaca mais comum do mundo.

VERDADE. Apesar disso, a FA, que leva o coração a bater em um ritmo irregular, ainda é amplamente desconhecida. Atingindo entre 1,5 e 2 milhões de pessoas somente no Brasil, a pesquisa "A percepção do brasileiro sobre doenças cardiovasculares", encomendada pela Boehringer Ingelheim ao Ibope Conecta, mostrou que mais da metade (63%) dos entrevistados nunca tinha ouvido falar sobre a doença, surpreendente, não?

- A doença é um dos principais fatores de risco para o AVC.

VERDADE. A fibrilação atrial causa uma falha nos sinais elétricos do coração, fazendo com que as câmaras cardíacas superiores se contraiam de maneira inconstante, proporcionando um acúmulo de sangue local. "Assim, essa retenção pode gerar coágulos sanguíneos. Caso eles se desloquem para a circulação do paciente há o risco de chegarem ao cérebro, ocasionando um acidente vascular cerebral isquêmico, com potencial de gerar sequelas graves e até mesmo incapacitantes", afirma o Dr. Rodrigo Noronha.

- Todos os pacientes possuem sintomas.

MITO. Em muitos casos, a FA é uma doença assintomática. "Por isso, é importante realizar check-ups periódicos em uma unidade de saúde, para atestar a saúde do coração. Muitas vezes, os pacientes só descobrem que sofrem com essa arritmia em sua manifestação mais grave, o AVC", pontua o médico cardiologista. Mas, entre os sinais mais comuns da doença estão palpitações, dores ou desconfortos no peito, tontura e falta de ar.

- O tratamento da FA visa apenas regular o ritmo cardíaco.

MITO. "Parte do tratamento da fibrilação atrial tem como objetivo restaurar a frequência e o ritmo cardíaco do paciente. Porém, existe também o tratamento que visa reduzir o risco de AVC em quem sofre com a doença, que é cinco vezes maior do que em um indivíduo saudável. Ele é feito por meio de medicamentos anticoagulantes, aqueles que popularmente "afinam" o sangue", explica o Dr. Rodrigo Noronha. Entretanto, o estudo "A percepção do brasileiro sobre doenças cardiovasculares" mostrou que quase metade dos pacientes com FA (47%) não faz uso de anticoagulantes, ficando mais expostos a essa principal complicação.

"Uma das principais explicações para isso é a possibilidade de sangramentos, um dos mais lembrados efeitos colaterais desse tipo de medicamento. Mas a comunidade médica e de pacientes já conta com um agente reversor, de princípio ativo idarucizumabe, que atua revertendo o efeito do anticoagulante dabigatrana em poucos minutos. O seu efeito é momentâneo, para pacientes que apresentam sangramentos incontroláveis ou passarão por cirurgias de emergência", afirmou.

- A fibrilação atrial só acomete idosos.

MITO. Apesar de atingir principalmente idosos acima dos 70 anos, a FA possui diversos fatores de risco que podem contribuir para que pessoas de qualquer idade sofram com a enfermidade. Malformações congênitas do coração, hipertensão, desequilíbrio metabólico, apneia do sono, infecções virais, exposição exagerada a álcool e a tabaco, além de doença do nó sinusal são algumas delas5. "Embora pareça inofensiva, a fibrilação atrial pode ter complicações graves. Assim, é importante diagnosticar precocemente e seguir o tratamento indicado pelo médico à risca", finaliza o especialista.

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