Trauma acústico

Festa junina: cuidados com sistema auditivo e vias aéreas

Estrondos de bombas e fogos de artifício, música alta e fogueiras podem ser fatores de risco à saúde otorrinolaringológica

13:40 · 16.06.2018
Fogos de artifício
A música em alto volume durante os festejos juninos também pode ser um fator de risco ( Foto: Divulgação )

Em tempo de festas juninas, os tradicionais fogos de artifício, rojões e até mesmo bombas caseiras feitos para animar as celebrações da época, produzem altos barulhos e são considerados um perigo para os ouvidos, podendo causar danos à audição. A exposição repentina a ruídos de alta intensidade pode acarretar lesão no sistema auditivo. Essa enfermidade é chamada trauma acústico, que pode ocorrer em um ou em ambos os ouvidos e, nos casos mais graves, o transtorno pode danificar a audição de maneira irreversível. Por isso, a Cooperativa de Otorrinolaringologia do Ceará (Coorlece) traz à tona o assunto.

Conforme o presidente da Coorlece e médico otorrinolaringologista Dr. João Paulo Bastos, a perda acontece por que o estampido de fogos e rojões costuma ser, além de muito alto, inesperado. O ruído percorre todo o aparelho de forma rápida, atingindo a cóclea, órgão sensorial responsável pela audição podendo levar a perda auditiva abrupta e, quando ocorre explosão a poucos centímetros da orelha, pode ocasionar perfuração dos tímpanos.

“A música em alto volume durante a festa também pode ser um fator de risco. O nível de som que o ser humano pode suportar, sem comprometer o aparelho auditivo, é entre 60-70 decibéis, dependendo da intensidade e tempo de exposição”, explica no médico. Com uma intensidade por vezes acima de 120 decibéis, o barulho de bombas e rojões chega a ser comparável ao barulho de um avião durante a decolagem, que produz um som de 130 decibéis.

Caso haja exposição a um impacto sonoro forte, o mais indicado é procurar um médico otorrinolaringologista, para avaliar se o dano auditivo causado pelos fogos é temporário ou irreversível, além de verificar quais os possíveis tratamentos. “Se mesmo assim a pessoa se exponha a estrondos, é importante estar atendo para se afastar na hora do impacto ou utilizar protetores de ouvido. Eles reduzem o volume excessivo, mas quem usa não deixa de ouvir o som ambiente. É uma alternativa segura de continuar aproveitando a festa", recomenda o Dr. João Paulo.

Vias aéreas 

O ambiente da festa junina reúne outros fatores que podem desencadear problemas no sistema otorrinolaringológico. Um exemplo é o contato com a fumaça de fogos de artifício e fogueiras, que além do cheiro incômodo, é um corpo estranho, uma substância que entra na narina e nos pulmões e irritam as vias aéreas, o que pode causar uma série de inflamações, como rinite alérgica, sinusite, faringite e traqueíte.. 

A irritação pode vir acompanhada de tosse seca, rouquidão, dor de cabeça e tontura, podendo ocorrer, ainda, asma grave. “Pessoas alérgicas precisam ter cuidado. Crianças e idosos também são mais sensíveis e podem sentir insuficiência respiratória. Além disso, com o ambiente barulhento tendemos a falar mais alto, podendo prejudicar as cordas vocais”, completa o Dr. João Paulo.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.