Doença celíaca

Famílias superam restrição alimentar ao glúten

No Brasil, a enfermidade afeta cerca de 2 milhões de pessoas, mas a maioria desconhece a condição

Enfermidade autoimune, a doença celíaca é caracterizada pela intolerância permanente ao glúten ( Yago Albuquerque )
14:47 · 14.01.2018
Antes mesmo de aprender a ler, Maria Catharina, 4, já identificava a presença do glúten nos rótulos de alimentos industrializados. Há um ano, a rotina da criança mudou radicalmente quando ela foi diagnosticada com doença celíaca. Enfrentando a mesma condição, Demetrius, 3, é o caçula de uma família de alérgicos que encontrou na dificuldade uma oportunidade de negócio. 
 
Essa enfermidade autoimune é caracterizada pela intolerância permanente ao glúten, ocasionada por uma predisposição genética. Segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), 1% da população mundial enfrenta a doença. No país, os sintomas afetam cerca de 2 milhões de pessoas, mas a maioria desconhece a condição.
 
Diagnóstico tardio
 
Maria Catharina sentia fortes dores abdominais, crises de refluxo e vômitos constantes desde os dois meses de idade, porém seu caso teve um diagnóstico tardio. A falta de conhecimento sobre a doença celíaca levou os pais da criança à uma longa investigação. “Realizamos exames para identificar alguma alergia e todos deram negativo. Mesmo assim, suspeitávamos que fosse algo relacionado à lactose, por exemplo”, afirma a mãe Ravenna Barbosa. 
 
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Próximo aos 4 anos, a menina estava abaixo do peso e seu humor alterava constantemente, ao ponto de acordar gritando durante a noite. Levada ao hospital com suspeita de desnutrição, passou novamente por testes laboratoriais, incluindo, desta vez, o exame para identificar alguma intolerância ao glúten que segundo Ravenna  “deu bem alterado”. 
 
Para Cleoneide Oliveira, presidente em exercício da Associação dos Celíacos do Brasil - seção Ceará (Acelbra-CE) -, o diagnóstico precoce diminui os transtornos, físicos e psicológicos, que a doença pode ocasionar. “Dentre as sequelas, estão as alterações gastrointestinais, como prisão de ventre crônica, dor abdominal, desnutrição com déficit de crescimento e diarréia, mas também alterações do humor, a exemplo da depressão e irritabilidade”.
 
A presidente da Acelbra-CE afirma que apresentados os sintomas, a confirmação do caso é realizada por meio de testes sorológicos que “dosam os anticorpos antigliadina, antiendomísio e antitransglutaminase no organismo”. Outro método para a identificação da doença é a endoscopia digestiva com biópsia do intestino delgado (duodeno). 
 
Contaminação cruzada 
 
Além da ingestão de alimentos, como pães, bolos e queijos, qualquer outro contato com a proteína do glúten pode desencadear complicações. Ravenna teve que trocar todos os utensílios domésticos quando soube do diagnóstico da filha, para evitar a contaminação cruzada, que consiste na transferência de traços ou partículas de um alimento restrito para outro. Nos casos semelhantes ao de Catharina, a presença indireta do glúten no ambiente, como o cheiro, também gera impactos negativos.
 
Os cuidados se estendem à utilização de produtos de higiene e beleza. “Não sabíamos, mas até a massinha de modelar que ela ganhou de aniversário provocou reações alérgicas, pois tinha glúten em sua composição”. Hoje, Ravenna busca estar sempre atenta aos rótulos e liga para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) das empresas quando tem dúvidas.

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