Mecanismo de reparo

Falta de sono envelhece a pele e diminui a defesa antioxidante natural

Dormir pouco frequentemente diminui o metabolismo do ciclo circadiano e compromete a capacidade de reparo e regeneração celular, que ocorre no período noturno

16:00 · 01.03.2018
sono
Uma importante estratégia é cuidar bem da pele antes de dormir, de preferência utilizando substâncias que vão potencializar a ação de reparo e regeneração celular ( Foto: Divulgação )

Ter uma boa noite de sono às vezes parece um privilégio distante para a maioria. O stress, a correria do dia-a-dia, enfim, tudo parece contribuir para a insônia ou poucas horas de sono.  A privação de sono, além dos prejuízos cognitivos, da diminuição da imunidade e do aumento do risco cardiovascular, também é maléfica para a pele.

"Dormir bem é essencial para produção de diversos hormônios que funcionam como uma defesa antioxidante natural contra os radicais livres, que causam envelhecimento cutâneo. Então, além das olheiras, dormir mal deixa a pele mais susceptível ao aparecimento precoce das linhas, rugas, manchas e flacidez”, afirma a dermatologista Dra Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

De acordo com a médica, no nosso corpo, o tempo todo os mecanismos de reparo não cessam, mas durante o sono noturno, eles são mais eficientes, pois a frequência cardíaca, a secreção do cortisol e a adrenalina diminuem. “Então o organismo trabalha de forma mais amena e a reparação, o anabolismo muscular e a síntese de colágeno são maiores durante a noite”, diz.

A falta de sono, explica a dermatologista, diminui todo o metabolismo do ciclo circadiano, sono e vigília, o que compromete o tempo necessário para que ocorra o reparo e regeneração durante o período noturno quando o metabolismo está na sua atividade basal. 

“Então isso afeta a produção natural de melatonina, Glutationa, Superoxido Dismutase e Catalase, sendo que todos eles fazem parte da defesa antirradical primária do nosso organismo. Além disso, ocorre também alteração na produção do hormônio de crescimento IGF1 que regula a insulina (evitando com que altos índices de níveis glicêmicos envelheçam nosso tecido e provoquem inflamação)”, explica. 

A dermatologista explica que, como o sol, poluição e outros agentes agressores geram reações químicas incompletas na pele (radicais livres), é durante a noite, no sono, que ocorre a varredura desses radicais livres. “Mas isso, evidentemente, só vai acontecer se o corpo puder descansar”, afirma. Segundo a National Sleep Foundation, pessoas de 18 a 64 anos devem dormir de sete a nove horas por dia como um período recomendável, e seis horas como um período aceitável.

Substâncias

A médica conta que uma importante estratégia é cuidar bem da pele antes de dormir, de preferência utilizando substâncias que vão potencializar a ação de reparo e regeneração celular. “Antioxidantes como Vitamina C, Vitamina E, resveratrol, picnogenol, luteína e ômegas 3 e 6 podem ser usados sempre após limpeza e tonificação da pele”, sugere.

Posição de dormir

Outro ponto importante com relação ao sono diz respeito à posição de dormir. “O fato de dormir com o rosto virado 100% para o travesseiro, ou sempre de um dos lados, vai formando rugas de dinâmica importantes, e que muitas vezes nos faz envelhecer mais assimetricamente com demarcações mais profundas dos sulcos, das linhas e das rugas”. E o ideal é dormir sempre de barriga para cima ou de lado. “Essas são as recomendações de forma geral”, finaliza a médica. 

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