Câncer nos gânglios

Exercícios físicos auxiliam o tratamento de jovens com linfoma de Hodgkin

Além de ajudar no ganho de massa magra e na melhora de sintomas, a atividade pode ter impactos psicológicos positivos para os pacientes

10:31 · 15.12.2017
jovens corrida
O linfoma de Hodgkin é um dos tipos de câncer mais comuns entre jovens adultos. Caminhadas, corridas e ciclismo podem ajudar no tratamento ( Foto: Divulgação )

A prática de exercícios físicos é uma recomendação médica na maioria dos casos. Seja para evitar o desenvolvimento de doenças, para manter o organismo saudável ou até mesmo pelo bem-estar mental. Porém, durante o tratamento de um câncer, principalmente quando se trata de um tipo que atinge predominantemente jovens adultos ativos, como o linfoma de Hodgkin, muitas incertezas e inseguranças podem surgir.

O linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que atinge os gânglios do sistema linfático. Caracterizado pela multiplicação descontrolada dos linfócitos do tipo B, responsáveis pela defesa do organismo, é considerado um câncer raro. Todavia, é um dos tipos mais comuns entre jovens adultos, com uma incidência maior em indivíduos entre os 15 e 40 anos, especialmente na faixa dos 20 anos.

Entre os principais sintomas estão o aumento dos linfonodos, febre, perda de peso, sudorese noturna, coceira e fadiga. A redução dessas manifestações que o exercício físico pode se tornar um grande aliado ao tratamento medicamentoso. “Existem benefícios das atividades físicas descritos para vários tipos de câncer, incluindo o linfoma de Hodgkin. Há estudos mostrando melhoras na composição corporal, qualidade de vida, fadiga e diminuição da ansiedade”, afirma o Dr. Guilherme Fleury Perini, hematologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Pesquisa

Um desses estudos é o HELP (Healthy Exercise for Lymphoma Patients), conduzido pela Fundação Lance Armstrong e pela Universidade de Alberta, no Canadá. Feito com 122 pacientes em tratamento ou não para diferentes linfomas, demonstrou que o grupo submetido a uma série de treinos aeróbicos, durante 12 semanas, teve resultados positivos com relação à qualidade de vida, como melhora da fadiga, preparo cardiovascular, aumento de massa magra e em aspectos psicológicos como depressão, em comparação ao grupo que não foi submetido a essas condições.

De acordo com o Dr. Perini, as atividades não impactaram diretamente no tratamento da doença. “Talvez os principais benefícios estejam relacionados aos aspectos psicológicos, como sensação de bem-estar e menor incidência de depressão. A fadiga, além do componente físico, também apresenta o fator psicológico e é uma das manifestações que mais demonstraram melhora em pacientes praticantes de atividades físicas”, comenta.

Entre os exercícios indicados, os aeróbicos ou os que visam o ganho de massa magra, como a musculação. Além disso, há ainda estudos que demonstram benefícios em outras atividades, como caminhadas, corridas e ciclismo. Algumas limitações podem ocorrer devido aos efeitos colaterais da quimioterapia, como náusea, queda da imunidade e presença de cateteres.

Portanto, para pacientes com câncer, exercícios supervisionados em academia podem ser mais adequados. Já para os que estão em remissão, ou seja, sem os sinais da doença, a orientação é outra. “Os que tratam do linfoma podem ter um risco maior de doença cardiovascular. Portanto, antes de iniciar é importante conversar com o médico e fazer os exames solicitados”, explica Dr. Perini. Ainda segundo o especialista, atividades que envolvam impacto devem ser evitadas, devido ao risco de plaquetopenia, nível extremamente baixo de plaquetas no sangue, principalmente em pacientes com cateteres totalmente implantáveis.

Atualmente, o tratamento medicamentoso do linfoma de Hodgkin apresenta grandes taxas de cura, chegando a até 90% dos casos. Em recidivas ou pacientes refratários, ou seja, que nunca responderam a outros tipos de terapia ou a doença tenha retornado depois do último tratamento, a terapia-alvo é uma das alternativas existentes. De toda forma, o especialista aponta que o papel do educador físico pode ser importante também ao pensar no tratamento como um todo. “Se pensarmos que se trata de uma população jovem, com uma grande expectativa de vida, faz sentido prestarmos mais atenção nos exercícios e incluirmos um educador físico no manejo destes pacientes”, finaliza. 

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