Meio ambiente

Estudo relaciona consumo alimentar à emissão de gases de efeito estufa

No Brasil, carne bovina e laticínios lideram a lista de alimentos cuja produção mais afetam o meio ambiente

15:00 · 03.05.2018
carne bovina
Carne bovina e laticínios, lideram o ranking de alimentos cuja produção ocasiona mais emissões de gases do efeito estufa, sendo responsáveis por 93% a 98% das emissões ( Foto: JL Rosa )

Gêneros alimentícios de origem animal - especialmente carne bovina e laticínios - lideram o ranking de alimentos cuja produção ocasiona mais emissões de gases do efeito estufa, sendo responsáveis por 93% a 98% das emissões, dependendo da região do País. Já entre os alimentos de origem vegetal, a produção do arroz desponta como principal responsável pela emissão desses gases. A conclusão faz parte dos resultados de duas pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Economia (PPGE-So) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

"O sistema agroalimentar tem afetado as mudanças climáticas por ser uma das principais fontes de emissões de gases de efeito estufa (GEE), sobretudo de metano - pela fermentação entérica do gado e pelo cultivo de arroz; óxido nítrico, em virtude do manejo dos solos e do uso de fertilizantes nitrogenados; e dióxido de carbono, devido ao uso de combustíveis fósseis nos vários segmentos da cadeia agroindustrial", elenca Danilo Rolim Dias de Aguiar, orientador da pesquisa.

"Essas emissões variam de produto para produto, mas nesse cenário, a criação de gado bovino apresenta dados alarmantes e, segundo alguns autores, é responsável por quase 20% das emissões mundiais de GEE", destaca o professor.

De acordo com ele, as pesquisas trazem informações inéditas sobre as emissões de gases de efeito estufa associadas às dietas alimentares no Brasil e podem ajudar no planejamento de políticas visando minimizar o problema. Os estudos foram realizados entre março de 2017 e março de 2018, pelas alunas de mestrado Gabriella Nunes da Costa e Giovanna Tavares de Camargo Simões.

As emissões e a dieta dos brasileiros

Aguiar explica que, buscando por soluções para o aumento do efeito estufa, alguns pesquisadores enfocam a produção, sugerindo que os próprios sistemas de produção devem mudar para reduzir as emissões. Outros, no entanto, enfocam o consumo, argumentando que os consumidores precisam mudar suas dietas para que as emissões diminuam. "Nossas pesquisas seguem o enfoque do consumo, tendo como objetivo investigar quais são as diferenças - em termos de emissões - entre as dietas consumidas por indivíduos de diferentes níveis de renda que vivem em diferentes regiões do País", explica o professor.

"As emissões de GEE estão positivamente correlacionadas à renda, uma vez que indivíduos de maior renda são justamente aqueles que ingerem mais produtos de origem animal. Verificamos também que os moradores das capitais localizadas no Norte do Brasil têm dietas com mais impacto ambiental do que os moradores de outras regiões, enquanto que, para o Estado de São Paulo, as dietas de pessoas do meio rural ou de cidades pequenas 'emitem' mais do que a dos moradores da cidade de São Paulo e da região metropolitana", detalha Aguiar.

Padrão de consumo 

O professor afirma que, caso os consumidores alterassem suas dietas, seria possível reduzir significantemente as emissões de  gases de efeito estufa, uma vez que as produções de alguns alimentos emitem muito mais do que outras. Mas, a viabilidade de mudança de dieta dependeria também da qualidade nutricional das dietas de menor impacto ambiental. 

"Aparentemente, há espaço para alterações nos padrões de consumo, uma vez que identificamos que, em média, os consumidores com renda mensal acima de três salários mínimos têm acesso ao dobro do que necessitam em termos de calorias e quase quatro vezes mais do que necessitam em termos de proteínas", revela Aguiar.

"A ingestão de proteínas, cujas fontes são justamente os maiores emissores de GEE, mostra-se, em média, suficiente até mesmo para os consumidores de menor renda, e excessiva para os demais. Porém, os consumidores mais pobres não têm acesso às quantidades de calorias necessárias", afirma o pesquisador.

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