Cérebro em alerta

Estresse tóxico pode afetar desenvolvimento infantil

Uma resposta prejudicial é gerada quando uma criança vivencia dificuldade forte, frequente e prolongada, sem apoio adequado de adulto

16:00 · 11.01.2018
estresse tóxico
Quanto mais adversas são essas experiências na infância, maior é a probabilidade de a criança vir a apresentar atrasos no desenvolvimento e problemas de saúde ( Foto: Divulgação )

As dificuldades da vida fazem parte do desenvolvimento humano, mas é preciso tomar alguns cuidados com as soluções adotadas, especialmente no caso das crianças. O estresse é uma resposta fisiológica a uma situação adversa. Quando produzido, desencadeia mudanças químicas no nosso corpo, que afetam os sistemas imunológico, endócrino e neurológico.

O Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, cita três tipos diferentes de resposta ao estresse: positiva, tolerável e tóxica, dependendo do efeito que essa reação tem sobre o corpo.

Mas enquanto as duas primeiras fazem parte do desenvolvimento normal de uma criança, a terceira é prejudicial. 

Causa

A resposta tóxica ao estresse pode ocorrer quando uma criança vivencia uma dificuldade forte, frequente e prolongada, sem apoio adequado de um adulto.

Entre os exemplos, estão negligência, abuso físico ou emocional, exposição à violência, vício em drogas, problemas mentais ou uma elevada carga de pobreza.

Uma mãe com depressão profunda, que não pode cuidar do seu bebê, ou pais alcoólatras ou viciados em drogas, que não se dedicam aos seus filhos, podem fazer com que a criança entre em um estado permanente de estresse, considerado tóxico. E isso pode gerar repercussões por toda a vida, segundo especialistas.

Quanto mais adversas são essas experiências na infância, maior é a probabilidade de a criança vir a apresentar atrasos no desenvolvimento e problemas de saúde, como cardiopatias, diabetes, abusos de drogas e depressão, além de dificuldade de adaptação.

Diante do estresse, o corpo e o cérebro ficam em alerta, produzem adrenalina, aumentam a frequência cardíaca e liberam mais hormônios, como o cortisol. Depois de um certo tempo, é esperado que a resposta se atenue, e o corpo volte ao estado natural.

Danos

Esse tipo de resposta prolongada ao estresse é considerada tóxica porque pode saturar o cérebro da criança e interromper o seu desenvolvimento, especialmente durante os períodos mais sensíveis do crescimento infantil.

"Nas áreas do cérebro dedicadas a aprendizagem e razão, as conexões neurais que formam a arquitetura cerebral são mais fracas e escassas", segundo o centro de Harvard. "A ciência demonstra que a atividade prolongada dos hormônios do estresse na infância pode diminuir as conexões neurais nessas importantes zonas do cérebro, precisamente em um momento em que deveriam formar conexões novas", afirmou o pediatra Hillary Franke, do Centro de Medicina Integrada da Universidade do Arizona.

Os especialistas também acreditam que o estresse tóxico tem um papel no desenvolvimento de transtornos depressivos, problemas de comportamento, transtorno de estresse pós-traumático e psicose.

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