Interação social

Especialistas explicam os principais tratamentos do autismo

A estimulação por meio da música pode melhorar a capacidade cognitiva, motora e social

14:00 · 27.03.2018
autismo
Normalmente, o autismo é diagnosticado ainda na primeira infância ( Foto: Divulgação )

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o autismo afeta uma a cada 160 crianças. Para alertar a população sobre o transtorno e lutar contra o preconceito, foi instituído, em 2 de abril, o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. “Atualmente, utilizamos a sigla TEA (Transtorno do Espectro do Autismo).

O TEA refere-se a um grupo de transtornos caracterizados por prejuízos na interação social e de comunicação, associados a comportamentos repetitivos e interesses restritos”, explica a terapeuta ocupacional Dayane Sanches de Castro.

Normalmente, o autismo é diagnosticado ainda na primeira infância, entre os 12 e 24 meses de vida. “Os sinais podem ser dificuldades de interagir com outras crianças e adultos, não manterem contato visual, não atenderem quando se é chamado, comportamento repetitivo, entre outros. Os sintomas variam de acordo com o estímulo fornecido pelo ambiente familiar, do grau do TEA e se está associado ou não a outras patologias”, comenta Dayane. 

Conforme a pediatra do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Dra. Claudia Fenile Conti, o autismo se traduz muito nos detalhes do comportamento da criança, gestos, agitação, o olhar e de que forma ele interage com o mundo externo. “Infelizmente, não há um exame específico que detecte o autismo, o diagnóstico é feito com as informações coletadas nas consultas, como os sinais observados, histórico familiar e conversas com os pais, além de uma avaliação complementar do neuropediatra”, ressalta.

Quanto às causas do TEA, ainda são desconhecidas. Estudos indicam multifatores, desde genéticos, ambientais, complicações durante o nascimento, até infecções maternas ou medicação recebida antes ou após nascer. Para tratá-lo é preciso uma intervenção precoce de uma equipe transdisciplinar, com neuropediatra, psiquiatra, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, psicólogo, psicopedagogo e outros profissionais que forem necessários de acordo com cada caso. 

“Devemos promover uma melhora na qualidade de vida, ampliando a perspectiva da autonomia, independência, linguagem, socialização e capacidades cognitivas”, comenta a terapeuta ocupacional. Ainda, orientar os pais também é fundamental para o sucesso do tratamento. “Pais de crianças autistas são facilitadores para o desenvolvimento dos filhos, visto que estão mais em contato do que os profissionais envolvidos. 

É recomendado que os pais interajam brincando com a criança naquilo que ela gosta de fazer, sempre parabenizando e incentivando cada etapa e acertos, com paciência para esperar o tempo dela, respeitando o ritmo e rotina. Disponibilizar momentos sociais, deixando que brinquem com outras crianças também é importante. E assim, a empatia dela pode ser mais facilmente conquistada”.

Segundo Dayane, uma atividade positiva para o desenvolvimento de crianças com autismo é a música. “Estudos informam que as atividades relacionadas à música envolvem imitação e sincronização, levando à ativação de áreas que contêm neurônios-espelho e proporcionando o desenvolvimento da cognição social. Uma atividade lúdica abre o canal de comunicação das crianças em diversos sentidos sensoriais, como o toque na interação com o instrumento, a escuta oportunizando a percepção de novas fontes sonoras, a atenção compartilhada e a autonomia quando a criança for escolher a música. 

Leomara Craveiro de Sá, especialista em musicoterapia, aponta que estimula a comunicação verbal e não verbal, gerando expressão corporal, diminuindo comportamentos indesejáveis, como o isolamento e ajudando a pessoa com autismo a assimilar mudanças e variações temporais”. O TEA não tem cura, porém quanto antes começar o tratamento, maiores as chances de uma melhor qualidade de vida e independência.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.