Dezembro Vermelho

Especialistas defendem métodos combinados como alternativa de prevenção da Aids

A partir da próxima semana, o Ministério da Saúde distribuirá 3,6 milhões de medicamentos, em 22 municípios

16:30 · 04.12.2017 por Agência Brasil
PrEP
A Profilaxia Pré-exposição (PrEP) ao vírus do HIV, é uma estratégia de prevenção que envolve a utilização de um medicamento antirretroviral (ARV), por pessoas não infectadas ( Foto: Divulgação )

Além das camisinhas masculina e feminina, a prevenção da Aids, doença adquirida através do vírus HIV, inclui uma série de métodos. Entre eles, os medicamentos das profilaxias pré-exposição (PrEP) e pós-exposição (PEP), estão entre os mais eficazes para proteger homens homossexuais. O número de casos cresce entre os rapazes de 15 anos a 19 anos que fazem sexo com outros homens, conforme dados mais recentes do Ministério da Saúde.

Reunidos em Congresso da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), no Rio de Janeiro, na última semana, especialistas defenderam que campanhas de prevenção desmistifiquem práticas sexuais e tratem de identidades de gênero e sexualidades.

A pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Vera Paiva, que participou do evento, lembrou que os jovens, independentemente de religião, iniciam a vida sexual aos 14 anos e precisam de informação antes disso. De 2006 a 2016, a prevalência da infecção aumentou 140%, entre jovens do sexo masculino, com idades entre 18 e 25 anos. No caso das meninas, a prevalência é menor, mas preocupa o crescimento da taxa entre as mais jovens, na faixa de 15 a 19 anos.

Durante o evento,  foi defendido a ampliação da disponibilização da PrEP,  que será distribuída pelo governo a grupos específicos a partir da próxima semana. Apesar de a iniciativa ter sido comemorada, pesquisadores alertaram que a forma de distribuição das pílulas poderá significar uma mudança na política de combate à Aids, pois não bastará qualquer pessoa ir ao posto de saúde e solicitar o tratamento pré-exposição.

A partir da semana que vem, o Ministério da Saúde distribuirá 3,6 milhões de PrEP, durante um ano, de maneira gradativa e gratuita, em serviços de saúde de 22 municípios. As pílulas só serão distribuídas a grupos considerados chaves, como homens que fazem sexo com homens, gays, pessoas trans, profissionais do sexo e casais sorodiscordantes. O uso das pílulas será sob acompanhamento.

Acompanhamento

Ao divulgar os números da aids na última sexta-feira (1º), Dia Mundial de Luta contra a Aids, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, explicou que PrEP é um medicamento específico, de uso contínuo e diário, que só pode ser tomado após a pessoa ter feito o teste de HIV e com acompanhamento. “Por isso não, em hipótese alguma, podemos esquecer da camisinha”, frisou, em nota divulgada no site da pasta.

Os números de diagnóstico e de tratamento de pessoas vivendo com HIV/Aids melhoraram no Brasil, nos últimos anos, embora a doença esteja avançando entre a população mais jovem. Os dados ainda apontam que 830 mil pessoas convivem com o HIV, sendo que 112 mil não sabem que estão infectadas, portanto, sem tratamento.

Racismo

O advogado Oséias Cerqueira, da Abia acrescentou que o contexto da desigualdade no país e a chamada vulnerabilidade estrutural é determinante para maior ou menor exposição ao HIV. “A aids também é uma forma de extermínio da população negra no mundo”, frisou. Além disso, avalia que os tratamentos não são iguais para toda população.

“Estamos vendo que está morrendo no mundo, quem não tem acesso ou não a medicamentos”, criticou, em relação aos  negros no Brasil e á África Subsaariana, a região mais atingida pela epidemia, no mundo. Para ele, por ter mais recursos e poder na sociedade, a população branca acaba sendo beneficiada. 

Representante do Ministério da Saúde, Paula Adamy, reconheceu o racismo estruturante na sociedade, que dificulta o acesso a serviços e nas próprias instituições de saúde. “Sabemos que não é a cor que vulnerabiliza, mas o racismo institucional. Isso cria barreiras de acesso, ponto que precisamos trabalhar, de maneira que não inviabilize o cuidado”, afirmou.

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