Ciclo silvestre

Especialista tira dúvidas sobre prevenção da febre amarela

Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade faz alerta relacionado à doença que ainda atinge algumas cidades do país

12:28 · 10.01.2018

Com novos casos de febre amarela em algumas cidades do país, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) tira as principais dúvidas sobre a doença que é mais frequente em regiões não urbanas. Considera-se o ser humano um hospedeiro acidental do vírus - o mosquito pica um macaco infectado, e depois pica um humano não vacinado. É o chamado ciclo silvestre da febre amarela. 

“O grande risco é que se o hospedeiro humano (a pessoa que está com febre amarela) for picada pelo Aedes aegypti dentro da zona urbana, esse mosquito pode transmitir a febre amarela para outras pessoas dentro do município - ciclo urbano, quando deixa de existir apenas em matas). Atualmente a febre amarela está sendo considerada como ciclo silvestre, e todas as pessoas que tiveram confirmação da doença foram por picada de mosquitos que contraíram a doença de macacos”, explica Lucas Gaspar Ribeiro, médico de família e comunidade, membro da SBMFC. 

Contágio

A diferença entre a febre amarela urbana e silvestre está “apenas” nos mosquitos transmissores e na forma de contágio. A febre amarela silvestre é transmitida por mosquitos (Haemagogus e o Sabethes) que vivem nas matas e na beira dos rios. Estes mosquitos picaram macacos contaminados e depois picaram pessoas que adoeceram. Por isso há relato de mortes de macacos nas regiões acometidas. A febre amarela urbana é transmitida quando um mosquito urbano, o Aedes aegypti, pica uma pessoa doente e depois pica outra pessoa suscetível, transmitindo a doença. Exatamente como acontece com a dengue, zika e chikungunya. A única forma de transmissão da febre amarela é pela picada do mosquito.

Sintomas

A doença é considerada uma síndrome febril transmitida por mosquito. Assim, seu principal sintoma é a febre que dura até sete dias. Associados à ela, o paciente apresenta alguns sintomas gerais e inespecíficos: calafrios, dores pelo corpo, dor de cabeça, dor nas costas, mal-estar, náuseas e vômitos.

O nome da febre é característico pois em torno de 15-25% dos pacientes ficam com a pele amarelada (icterícia).

Vacina

Em abril de 2017, o Ministério da Saúde passou a considerar apenas uma única dose por indivíduo, que já é suficiente para imunização. Importante ressaltar que não são todas as cidades do Brasil que necessitam de vacina, apenas as que têm macacos com febre amarela ao redor (risco elevado da doença).

Com a vacina, a chance de contrair a doença é muito pequena. Porém, ela é contraindicada para crianças menores de seis meses e idosos acima dos 60 anos, gestantes e mulheres que amamentam, pacientes em tratamento de câncer e pessoas imunodeprimidas. Em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação para estes grupos, levando em conta o risco de eventos adversos. Ponto importante relacionado a prevenção é o controle do vetor, que na zona urbana é o Aedes aegypti.

Tratamento

Assim como a dengue, zika e chikungunya, inicialmente é oferecido suporte para dor e orientação de ingestão de bastante líquido. Caso haja piora dos sintomas, é necessária a internação.

O diagnóstico é realizado por exame de sangue, mas que não é disponível em todos os lugares do Brasil. Existem outros testes mais comuns em que é possível fazer o diagnóstico do quadro grave (problemas de coagulação, hepáticos e renais). Mas, o diagnóstico laboratorial não é obrigatório para o tratamento.

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