Dependência

Especialista explica relação entre o cigarro e o câncer de pulmão

O tabagismo é responsável por mais de 7 milhões de mortes por ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde

15:00 · 24.05.2018

O fato do cigarro trazer malefícios à saúde não é novidade, e a versão eletrônica também está longe de ser inofensiva, pois ela também contém nicotina – substância tóxica ao organismo. Parar de fumar, no entanto, não é tão simples, já que envolve dependência química e psicológica. Apesar das campanhas de conscientização, o tabagismo continua sendo uma preocupação mundial, sendo responsável por mais de 7 milhões de mortes por ano, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Com mais de 4000 substâncias químicas, sendo pelo menos 250 nocivas à saúde, e mais de 50 com ação carcinogênica, o cigarro está associado a uma série de doenças. Ele é responsável, por exemplo, por 30% das mortes por câncer, e por 90% dos casos de câncer de pulmão, um dos mais comuns, com mais de um milhão de casos novos por ano no mundo. O câncer de pulmão, aliás, é o de maior mortalidade: 19,4% de todos os óbitos por câncer no mundo são causados por ele.

Tabagistas, ex-fumantes e até os fumantes passivos estão sujeitos a esse tipo de tumor, embora a doença também acometa não fumantes. Segundo o oncologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Carlos Henrique Teixeira, existem hoje diferentes subtipos moleculares de câncer de pulmão e reconhecer estas alterações é fundamental para um tratamento personalizado. "Como os sintomas da doença podem surgir somente em estágios mais avançados, infelizmente o diagnóstico, em geral, é feito tardiamente. E, como em quase todos os cânceres, o diagnóstico precoce interfere nos resultados do tratamento", informa.

Entre as manifestações mais comuns do câncer de pulmão estão tosse, falta de ar, escarros com sangue, dor no tórax e perda de peso. Além do câncer de pulmão e demais neoplasias, o tabagismo pode estar associado a outras doenças, como sérias complicações cardiovasculares e doenças respiratórias.

Subtipos 

Entre 80 e 92% dos casos de câncer de pulmão são de não pequenas células (CPNPC), dos quais 43,3% são do tipo adenocarcinoma. Desses, entre 22 e 33% apresentam mutações no receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR). Embora possa acometer todas as pessoas, as mutações são mais comuns em não fumantes.

Apesar da letalidade do câncer de pulmão, os tratamentos contra esse tipo de tumor evoluíram na última década. A terapia alvo, uma das principais inovações, atua com maior precisão, geralmente em células do tumor que possuem mutações.

"É como um mecanismo de chave e fechadura, a terapia alvo é capaz de desligar esse circuito e fazer com que o câncer regrida", comenta Dr. Carlos H. Teixeira. Além do mais, esse subtipo de câncer de pulmão evolui, quando tratado adequadamente, com melhores resultados. O afatinibe, por exemplo, indicado, na primeira linha de tratamento para pacientes adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC), com histologia de adenocarcinoma e mutação de EGFR, faz parte desta lista de medicamentos de última geração.

O estudo clínico LUX-Lung, publicado em 2016, comprovou esses resultados positivos. Pacientes tratados com o afatinibe apresentaram mais que o dobro da probabilidade de estarem sem progressão da doença em 2 anos, em comparação ao gefitinibe, outra terapia alvo. Além de ser superior em eficácia, o medicamento possui bom perfil de segurança, possibilitando a melhora significativa dos sintomas da doença e da qualidade de vida dos pacientes. 

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