Pela ciência

Duas drogas capazes de frear avanço da demência são descobertas

Testes clínicos em humanos devem mostrar resultados dentro de três anos

11:30 · 20.04.2017
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Se os resultados dos testes em humanos forem positivos, uma nova porta será aberta para o tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson ( Foto: Divulgação )

Em 2013, uma equipe de cientistas identificou um mecanismo que leva células cerebrais à morte, e agora, os encontraram duas drogas capazes de bloquear esse mecanismo, prevenindo a neurodegeneração. Em experimentos com camundongos, os medicamentos provocaram danos colaterais mínimos, e a expectativa é que os testes clínicos em humanos demorem entre dois e três anos. 

Caso os resultados sejam positivos, uma nova porta será aberta para o tratamento de doenças como o Alzheimer e o Parkinson.

A líder dos estudos, Giovanna Mallucci, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, explica que várias doenças neurodegenerativas, incluindo as demências, têm como fator importante o acúmulo de proteínas malformadas. Na pesquisa anterior, os cientistas descobriram que esse acúmulo dispara um mecanismo natural de defesa, fazendo com que as células cerebrais suspendam a produção de proteínas vitais, e morram. 

Na ocasião, eles descobriram uma droga capaz de retornar com a produção proteica, mas ela era muito tóxica e inadequada para testes em humanos.

Ao longo dos últimos três anos, a equipe testou 1.040 compostos, primeiramente em uma espécie de verme que possui sistema nervoso funcional e serve como modelo experimental. O experimento filtrou algumas drogas, que então foram testadas em camundongos com doenças neurodegenerativas. Com isso, foram identificadas duas drogas capazes de restaurar a produção de proteínas pelas células cerebrais dos camundongos: o cloridrato de trazodona, medicamento antidepressivo licenciado; e o dibenzoilmetano, composto que está sendo testado para o tratamento do câncer.

Resultados 

Nos modelos com camundongos, as duas drogas preveniram o surgimento de sinais de danos às células cerebrais e restauraram a memória de animais, além de reduzirem o encolhimento do cérebro, uma das características das doenças neurodegenerativas. Os resultados foram publicados nesta quarta-feira, no periódico “Brain”.

"Nós sabemos que o cloridrato de trazodona é seguro para uso em humanos, então um teste clínico agora é possível para analisar se os efeitos protetivos que notamos nas células cerebrais de camundongos com neurodegeneração também se aplicam a pessoas em estágio inicial do Alzheimer e outras demências", disse Mallucci. 

De acordo com a pesquisadora, o cloridrato de trazodona já é usado no tratamento dos sintomas em pacientes com estágio avançado da demência. Os testes clínicos vão determinar se o medicamento é capaz de frear o desenvolvimento da doença quando em estágio inicial.

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