Alerta

Dor na idade adulta pode ser consequência de má postura na infância

Médico orienta como pais e professores podem ajudar a corrigir o problema

14:00 · 22.08.2018
Criança sentada em W
Repetição do hábito de "sentar em w" por crianças pode acarretar problemas posturais na vida adulta ( Foto: Divulgação )

De acordo com a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), três em cada dez brasileiros se queixam da condição. Segundo o médico ortopedista Lafayette Lage, especialista em joelho e quadril, as queixas mais comuns são dor nas costas e no pescoço que podem ser originadas ainda na infância. 

O médico alerta que muitas queixas de dor crônica na fase adulta estão diretamente ligadas a maus hábitos posturais de crianças. "Sendo assim, quando a gente ouve um adulto relativizar o fato de que uma criança tem mania de “sentar em W”, está na hora de saber o que isso pode acarretar quando estiver mais velha. Afinal, enquanto é pouco comum ouvir um jovem reclamar de dor (com exceção dos atletas, claro), depois dos 50 anos essa é a lamentação mais frequente", afirma. 

Os problemas de má postura em criança começam cedo. "A criança aprende a andar quase ao mesmo tempo em que aprende a brincar, a se desafiar do ponto de vista da motricidade. Ao sentar-se em forma de W ela busca maior equilíbrio do tronco e estabilização do quadril. Quando os pais não interferem nesse padrão, ela não desenvolve recursos de movimento mais maduros – necessários para outras habilidades”, diz Lage.

Segundo o especialista, esse tipo de padrão pode causar um desvio rotacional do fêmur ou da tíbia, levando ao desalinhamento da articulação da patela do joelho (articulação femoropatelar) – que, por consequência, leva à condropatia e provoca muita dor no joelho de jovens e adultos. “Essa é, inclusive, uma das causas da condromalácia patelar – que é o amolecimento da cartilagem que envolve a patela (rótula). A melhor coisa a se fazer é desestimular a criança a sentar-se desse jeito logo de início, propondo variações de forma natural. A postura ideal é em "posição de índio", com as pernas cruzadas à frente do corpo”.

Fase escolar

No caso de crianças e adolescentes em fase escolar, Lage chama atenção para a quantidade de horas que os alunos passam sentados nas cadeiras em sala de aula, geralmente com o tronco e o pescoço inclinados para frente ou com o corpo quase que deitado no assento e o pescoço apoiado no encosto.

“É grande o número de crianças que se queixam de dores no corpo durante as aulas. O problema é que os adultos não levam isso tão a sério quanto deveriam. E um dos motivos é que a queixa acaba assim que o jovem se levanta e vai praticar atividades esportivas ou recreativasl”, avalia o médico, chamando atenção, também, para o peso excessivo que os jovens carregam em suas mochilas e que pode comprometer a coluna no médio ou longo prazo.

Hora de dormir 

O especialista ainda faz um alerta sobre problemas de postura na hora de dormir. “A pior posição para pegar no sono é a de bruços, com o pescoço voltado para um dos lados. Imagine passar horas durante a noite – principalmente quem pouco se mexe – com a espinha dorsal fazendo um S. Com o passar dos anos, é praticamente impossível que essa pessoa não venha se queixar de problemas musculares, compressão nos nervos, e até mesmo de dor de cabeça. A posição mais comum, que é a fetal, em que a pessoa se deita de lado e flexiona os joelhos, pode ser boa para quem tem problemas de ronco, mas não deixa de forçar o pescoço no travesseiro.

Sendo assim, o paciente deve pelo menos encontrar um travesseiro que tenha a altura da largura do seu ombro, permitindo que a cabeça fique bem apoiada e o pescoço possa descansar enquanto dorme. "Já a posição de barriga para cima é ideal para quem sofre de dores no pescoço e nas costas. Ela também contribui para reduzir o refluxo gastresofágico e prevenir rugas. O único problema é que induz ao ronco. Mas, como isso se transforma realmente num incômodo somente depois dos 30 ou 40 anos, o ideal é acostumar a criança a dormir de barriguinha para cima mesmo, enquanto pode”, finaliza. 

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