Maternidade

Doenças infecciosas ou parasitárias não impedem o aleitamento

Documento científico lançado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desmistifica a contaminação do leite materno

15:53 · 10.08.2017
amamentação
Enfermidades como febre amarela e infecção por herpes não requerem o desmame ( Foto: Divulgação )

Especialistas do Departamento de Aleitamento Materno da SBP divulgaram um documento que aborda o mito relacionado a interrupção da gravidez de pacientes com quadros de doenças bacterianas, parasitárias ou virais. A declaração faz parte de um pacote de ações coordenadas pela SBP com o objetivo de marcar as comemorações do Agosto Dourado, um período de 31 dias, no qual a entidade quer sensibilizar médicos e a população para os benefícios do aleitamento materno para mães e bebês. Além desse trabalho, outros três estudos científicos serão lançados no período. Para a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva, é um tempo de mobilização.

Acesse aqui a íntegra do documento

Infecções

O trabalho “Doenças maternas infecciosas e amamentação” mostra que a maioria das doenças infecciosas bacterianas maternas não contraindica o aleitamento materno. Quadros de mastite e de abcesso mamário, por exemplo, não são considerados infecções invasivas e, por isso, não impedem a prática do aleitamento, que poderá ser mantido se o tratamento com antibióticos for instituído e se o material drenado do abcesso não tiver contato direto com a boca da criança. Já infecções mais graves, como meningite, osteomielite e septicemia, exigem a interrupção temporária da amamentação por um curto período (de 24 a 96 horas) após o início do tratamento.

A suspensão da amamentação também não precisa ser feita por mães que estão com doenças diarreicas, segundo o Departamento de Aleitamento da SBP. A presidente do DC, Elsa Giulianni, explica que os agentes que causam diarreias nas mães podem ser importantes contaminantes externos, principalmente do leite materno ordenhado. Ela acrescenta que doenças parasitárias, de maneira geral, também não configuram impedimento à amamentação, pois não há transmissão de parasita pelo leite humano.

A exceção conhecida ocorre na Doença de Chagas, quando o parasita pode contaminar o leite humano. Para o Departamento, há evidências de que a infecção aguda no lactente parece ter evolução benigna e a descrição de sequelas é rara. A contraindicação da amamentação deve ser aplicada apenas na fase aguda da doença, segundo especialistas.

Tuberculose e Hanseníase 

A tuberculose não impede o aleitamento se tratada pela mãe em duas ou mais semanas antes do nascimento do filho, mas a criança deve receber a vacina BCG logo após o nascimento. Contudo, se a mãe for portadora da tuberculose multidroga resistente, que é uma forma mais grave da doença, a separação da criança do contato materno deve ocorrer para evitar contaminação, mas o leite materno pode ser ordenhado e oferecido à criança até a mãe estar curada.

Mesmo a hanseníase não indica necessariamente o desmame, dizem os especialistas. Se a doença não estiver em fase contagiosa, não há contraindicação para a amamentação. No entanto, a criança de uma mãe infectada pela doença deve ser submetida periodicamente a exames clínicos para detectar precocemente possíveis sinais da doença, uma vez que é transmitida por meio de secreções nasais e da pele. 

Doenças virais 

As enfermidades mais comuns - como febre amarela, Influenza e infecção por herpes - não requerem o desmame. Diante desses diagnósticos, as mães podem estar debilitadas e, neste caso, recomenda-se a ordenha. Já no caso das hepatites A, B e C as precauções variam.

A infecção pela hepatite A não indica desmame, já a hepatite B requer maiores cuidados, uma vez que é transmitida pelo sangue, esperma, líquido amniótico, fluidos vaginais, sangue do cordão umbilical e leite materno. O Departamento explica em seu texto que o maior risco de transmissão ainda é pelo parto, quando a criança entra em contato com o sangue e secreções maternas infectadas. Discussões são feitas por especialistas sobre a realização do parto cesáreo eletivo para estes casos. Contudo, não há nenhuma recomendação oficial para uma cesárea quando a única razão for a contaminação por hepatite.

Vírus HIV

A transmissão do vírus da imunodeficiência humana tipo 1 (HIV) de mãe para filho pode ocorrer durante a gestação, o parto e através do leite materno. A amamentação está associada a um risco adicional de transmissão que pode chegar a 29% nos casos de infecção aguda.

As condutas em relação à amamentação de mães soropositivas para o HIV devem seguir as diretrizes de cada país. Desde 2010, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno para todas as mulheres que vivem com HIV e fazem o uso de drogas antirretrovirais. A orientação beseia-se em evidências científicas de que o uso destas drogas pode reduzir significativamente o risco de transmissão por meio do leite materno. Mas, no Brasil, é contraindicada a amamentação para as mães soropositivas, recomendando-se a alimentação dos recém-nascidos com fórmulas infantis. 

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