Diagnóstico incorreto

Doença pulmonar grave pode ser confundida com tosse ou fadiga

A Fibrose Pulmonar Idiopática é uma condição rara que pode levar até 2 anos para ser identificada

13:00 · 19.04.2018
tosse
A Fibrose Pulmonar Idiopática provoca o enrijecimento do tecido pulmonar pela formação progressiva de cicatrizes (fibrose), levando a lesões que geram tosse seca, cansaço e falta de ar ( Foto: Divulgação )

A falta de conhecimento sobre as enfermidades é um problema para o diagnóstico de doenças pulmonares raras. O tempo até o diagnóstico pode ser crucial para o estado de saúde da pessoa, principalmente nos casos de doenças progressivas. Um exemplo é a fibrose pulmonar idiopática (FPI), uma condição rara que pode levar até 2 anos para ser identificada e pode ser confundida com tosse ou fadiga.

A FPI provoca o enrijecimento do tecido pulmonar pela formação progressiva de cicatrizes (fibrose), levando a lesões que geram tosse seca, cansaço e falta de ar, sintomas tidos como simples e comuns a várias outras doenças respiratórias. De acordo com o ranking, feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), das doenças que mais provocam mortes anualmente no mundo, as respiratórias ocupam o terceiro lugar. 

As doenças respiratórias também costumam ter sintomas parecidos, o que faz com que muitos pacientes ignorem esses sinais e não busquem ajuda médica. No caso da FPI, que atinge pessoas com mais de 50 anos, os sintomas podem ser confundidos, pois os pacientes acreditam que a fadiga e a tosse são sintomas naturais do envelhecimento e demoram para buscar ajuda médica.

O pneumologista Dr. Adalberto Rubin, explica que inclusive os especialistas podem confundir a fibrose pulmonar idiopática com outras doenças pulmonares e problemas cardiovasculares, como pneumonia e insuficiência cardíaca. 

Além disso, os pacientes costumam passar por diferentes especialistas e fazer vários exames de avaliação pulmonar ou até mesmo cardíaca. Por todos esses motivos, o Dr. Rubin explica que o diagnóstico da FPI é extremamente complexo e não pode ser concluído com a realização de um único exame. O tempo é um fator importante para os pacientes com FPI, porque a doença pode evoluir rapidamente e pode levar ao óbito dentro de 2 a 3 anos, se não for tratada.

Tratamento

Após o diagnóstico correto de fibrose pulmonar idiopática, o pneumologista é o principal responsável pelo tratamento destes pacientes. “O primeiro medicamento aprovado no país para o tratamento da FPI foi o nintedanibe, que é capaz de reduzir a progressão da doença em 50%”, aponta o Dr. Rubin. 

Embora a doença seja pulmonar, o tratamento não deve ser limitado às consultas regulares com o pneumologista.“Além do tratamento medicamentoso contínuo e do acompanhamento médico, o paciente deve ser avaliado por outros profissionais. Os médicos devem ficar atentos às doenças que podem ser desenvolvidas, como refluxo gastroesofágico, hipertensão pulmonar e até depressão”, explica o especialista. 

O tratamento da FPI também envolve o acompanhamento psicológico da família e dos cuidadores, que são fundamentais para o suporte do paciente. De acordo com o pneumologista, o maior conhecimento da doença pela população e o treinamento dos profissionais é o primeiro passo para aumentar o diagnóstico precoce.

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