Tratamento

Distúrbios do sono incomodam entre 40% e 90% dos pacientes com Doença de Parkinson

Neurologista afirma que médicos devem estar atentos a todos os tipos de sintomas da doença, inclusive os não motores

15:00 · 18.05.2018
Doença de Parkinson
A depressão pode ser um dos sinais da Doença de Parkinson ( Foto: Divulgação )

Já faz algum tempo que as manifestações não motoras estão sendo cada vez mais valorizadas pelos médicos no tratamento da Doença de Parkinson. Normalmente relacionada a tremores, a enfermidade provoca outros sintomas, como depressão e alteração de humor, redução do olfato, constipação. Um artigo científico disponível na biblioteca do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos apontou que de 40% a 90% da população com a doença apresentam distúrbios do sono, como insônia, noctúria (aumento da urina noturna), cãibras musculare s e pesadelos.

Por essa razão, o paciente deve ser avaliado de forma ampla e completa. “Precisamos olhar cada pessoa diagnosticada com Doença de Parkinson de maneira personalizada, analisando todos os aspectos. Os sintomas motores são mais visíveis e por isso recebem atenção imediata, mas existem outros que incomodam tanto quanto eles”, afirma Renata Ramina, neurologista e diretora clínica da Associação Paranaense dos Portadores de Parkinsonismo.

Segundo a especialista, essas características também são incapacitantes e devem ser tratadas com o mesmo foco dado aos tremores, à rigidez muscular e à lentidão dos movimentos (bradicinesia). “A depressão, por exemplo, pode ser um dos sinais da Doença de Parkinson. Ela é capaz de provocar insônia, piorar a cognição e levar a outros sintomas. Por essa razão não se deve tratar só os motores, está tudo interligado”, afirma.

De acordo com um estudo, os sintomas não motores da doença não são identificados pelos neurologistas em mais de 50% das consultas. Em especial os distúrbios do sono, que não são reconhecidos em mais de 40% dos casos. A publicação afirma que, em geral, os pacientes relataram que depressão, apatia, dores, problemas de memória e transtornos noturnos estão entre as principais complicações da doença que mais afetam suas vidas.

Renata lembra que a evolução da doença é crucial nesse sentido. “Infelizmente, quanto mais progride mais aumenta a frequência das manifestações não motoras. Por isso é importante olhar para todos os sinais, mesmo os mínimos, desde o início do tratamento”, conclui.

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