Médula óssea

Diagnóstico precoce é determinante para pacientes com mieloma múltiplo

Apesar de ser um câncer incurável, o conhecimento prévio permite a convivência com a doença

17:00 · 23.01.2018
dor lombar
Dor na região lombar é um dos sintomas do mieloma múltiplo ( Foto: Divulgação )

O diagnóstico precoce, de forma geral, permite um bom prognóstico em qualquer doença. Mas em casos que ainda não apresentam cura, como o mieloma múltiplo, esse pode ser um ponto determinante para o futuro do paciente. Para isso, é preciso conhecer quais são os primeiros sinais da doença e como é possível identificá-lo o quanto antes. 

O mieloma múltiplo é um câncer de medula óssea que se manifesta quando há um crescimento de forma desordenada dos plasmócitos, células do sangue pertencentes ao sistema de defesa do organismo. Dr. Walter Braga, hematologista responsável pelo Ambulatório de Mieloma Múltiplo da Universidade Federal de São Paulo, explica que quando a célula é identificada como cancerosa, denomina-se como célula do mieloma e acaba por comprometer o funcionamento saudável do organismo. 

De acordo com o médico, inicialmente, a condição normalmente é confundida com outra doença. “Este tipo de câncer atinge uma faixa etária de indivíduos com mais 60 anos que, muitas vezes, apresentam doenças degenerativas ósseas inerentes ao envelhecimento. Muitos idosos também têm diabetes mellitus e hipertensão de longa data, que podem levar a alterações de função renal”, explica.

Primeiros sintomas

Os sinais mais precoces, em geral, são anemia, que pode ser identificada por meio do hemograma, alteração de função renal, evidenciados na elevação de exames como ureia e creatinina e dores ósseas, principalmente na coluna. 

No entanto, também existem manifestações mais aparentes. “Cansaço, palidez, alteração da urina, caso fique com espuma, e dores na região lombar, são alguns exemplos”, comenta Dr. Walter. Ainda assim, vale destacar que esta é uma doença excepcionalmente heterogênea e nenhum paciente é igual aos demais, justamente por envolver múltiplos fatores, não só clínicos, como também emocionais. 

A estabilidade do quadro do paciente está diretamente ligada ao estágio em que a doença é identificada. “Quanto mais cedo for o diagnóstico, maior a chance de um convívio com menos sequelas e dependências”, conta o hematologista. “Em geral, os pacientes que têm diagnóstico precoce levam uma vida normal sem necessidade de maiores cuidados”, complementa. Com o início do tratamento, geralmente, a anemia desaparece e o cansaço melhora, mas as dores ósseas podem permanecer levando à necessidade do uso de medicamentos para dores crônicas.

O médico ressalta ainda a importância de divulgar informações sobre a doença como forma de serviço à população. “Exames para o diagnóstico podem ser solicitados por qualquer médico, ou seja, conseguimos fazer a diferença na vida dessas pessoas, precisamos apenas de mais conhecimento sobre o tema”, finaliza.

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