Circulação do sangue

Diabetes pode antecipar disfunção erétil em até 10 anos

A condição, segundo estimativas, acomete entre 35% e 75% dos diabéticos

16:00 · 22.01.2018
disfunção erétil
O descontrole nos níveis de açúcar no sangue e a incapacidade de produzir insulina desencadeiam um estado generalizado de inflamação no organismo dos diabéticos ( Foto: Divulgação )

Além das doenças cardiovasculares, o diabetes provoca uma série de outros danos ao organismo. Entre os mais conhecidos estão a cegueira, a amputação de membros inferiores e as complicações renais, mas ainda existe uma condição diretamente relacionada à doença: a disfunção erétil (DE), que, segundo estimativas, acomete entre 35% e 75% dos diabéticos.

"A disfunção erétil está relacionada com o envelhecimento natural, porém no homem diabético, ela pode chegar até 10 anos antes do esperado. Estima-se, inclusive, que metade dos homens diabéticos com mais de 50 anos já conviva com a condição que implica na dificuldade de obter ou manter a ereção e interfere na qualidade de vida do casal", alerta o endocrinologista João Eduardo Nunes.

Definida como a incapacidade persistente de obter ou manter uma ereção satisfatória, a disfunção erétil acontece com mais frequência no diabetes em razão dos danos que a doença causa nas paredes dos vasos sanguíneos e que, consequentemente, afetam a circulação e o fluxo de sangue para o pênis. Os danos aos nervos provocados pelo diabetes tipo 2, por outro lado, também estão envolvidos nesse processo.

Epidemia 

O descontrole nos níveis de açúcar no sangue e a incapacidade de produzir insulina desencadeiam um estado generalizado de inflamação no organismo. "O quadro favorece o surgimento de placas de gordura, aumento do colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias, restringindo o fluxo sanguíneo" esclarece.

Uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência indicou que menos da metade dos entrevistados (42%) citou as doenças cardíacas como as consequências mais relevantes do diabetes — e, mesmo entre os diabéticos, elas só foram mencionadas por 56%. Isso significa que metade dos pacientes não associa as doenças cardíacas aos riscos do diabetes e, como consequência, não toma todos os cuidados necessários para prevenir esses eventos indesejados. 

A pesquisa também revelou que apenas 3% dos entrevistados mencionaram "ter uma doença cardíaca" como um medo relacionado ao diabetes, embora seja uma complicação potencialmente fatal. A maior parte das pessoas teme amputação (32%) e cegueira (32%). 

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