Doença benigna

Dermatologista explica as causas do vitiligo

A doença afeta a qualidade de vida de 0,5% da população mundial

08:00 · 03.05.2018
Vitiligo
O vitiligo pode ser classificado em dois tipos: segmentar (unilateral) e não segmentar (bilateral) ( Foto: Divulgação )

O vitiligo afeta 0,5% da população mundial e é caracterizado pela perda de pigmentação da pele. “Apesar de ser uma doença benigna e não contagiosa, as lesões provocadas pelo vitiligo geram um impacto significante na qualidade de vida e na autoestima do paciente, atrapalhando-o tanto psicologicamente, quanto profissionalmente e socialmente”, afirma a dermatologista Dra. Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology (AAD).

De acordo com a especialista, o principal e único sintoma da doença apresentado pela grande maioria dos pacientes é o surgimento de lesões cutâneas de hipopigmentação, ou seja, manchas brancas de tamanho variado na pele que se formam devido a diminuição ou ausência de melanina, pigmento produzido pelos melanócitos, nos locais afetados.

“As causas do vitiligo ainda são desconhecidas, mas já se sabe que fenômenos autoimunes e alterações emocionais, como estresse, são fatores que estão relacionados com a doença, podendo desencadeá-la ou agravá-la.  Além disso, pessoas com a pele mais escura e que possuem histórico de vitiligo na família têm mais chance de sofrer com a doença”, explica.

Devendo ser diagnosticado clinicamente por um dermatologista, o vitiligo pode ser classificado em dois tipos: segmentar ou unilateral e não segmentar ou bilateral. O primeiro, que normalmente aparece quando o paciente ainda é jovem, manifesta-se apenas em uma parte do corpo, podendo afetar também a coloração dos pelos e cabelos.

“Já o vitiligo não segmentar ou bilateral é o tipo mais comum da doença e manifesta-se de forma generalizada, geralmente surgindo primeiro nas extremidades do corpo, como mãos e pés. Desenvolve-se em ciclos de perda de cor e estagnação que duram a vida toda e tendem a se tornar maiores com o tempo”, completa a dermatologista.

Quanto a prevenção, não há maneiras conhecidas ou cientificadas comprovadas que ajudem a evitar o surgimento do vitiligo. Porém, pacientes que têm tendência ou já sofrem com a doença devem evitar fatores que possam acelerar o aparecimento de novas lesões ou acentuar as já existentes, como a exposição solar prolongada e sem proteção e o uso de roupas apertadas que provoquem atrito ou pressão sobre a pele. Já com relação ao tratamento, a Dra. Valéria explica que, apesar de o vitiligo não ter cura, existem opções terapêuticas capazes de controlar e melhorar a doença, visando evitar o aumento das lesões e repigmentar da pele.

“A fototerapia com radiação UVB-nb é indicada para quase todas as formas de vitiligo, promovendo ótimos resultados. Além disso, podem ser utilizadas outras tecnologias como a fototerapia PUVA, lasers, técnicas cirúrgicas e de transplante de melanócitos. Na maioria dos casos, recomenda-se também acompanhamento psicológico”, destaca.

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