Qualidade de vida

Cuidados com a saúde feminina vão além dos exames ginecológicos

Especialista explica a importância dos cuidados com a saúde emocional e também da alimentação para manter um bom funcionamento de todo o corpo

13:00 · 10.03.2018
mulher no psicólogo
Estudo da OMS revelou que a ocorrência de transtornos mentais é duas vezes maior em mulheres ( Foto: Divulgação )

O conceito de saúde definido pela Organização Mundial da Saúde é: um estado de completo bem estar físico, mental e social e não somente a ausência de enfermidades. Muitas mulheres acreditam que o cuidado com a saúde envolve apenas a visita ao ginecologista uma vez por ano para realizar os exames preventivos, que são de suma importância, porém não garantem sozinhos longevidade ou qualidade de vida.

A maior parte das pessoas ao pensar em saúde e qualidade de vida se esquece, por exemplo, da saúde mental e emocional. Segundo Cíntia Pereira, ginecologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a visita ao ginecologista envolve aspectos que vão muito além da ginecologia em si e que se refletem na sua saúde física, emocional e em suas relações familiares, no trabalho e na sociedade como um todo. 

“Uma pessoa com saúde emocional debilitada pode comprometer vários setores da sua vida: tem dificuldade em manter relacionamentos, desempenhar funções no trabalho e, até mesmo, cuidar dos filhos. Esse abalo emocional pode também prejudicar a saúde física da mulher colaborando para o surgimento de doenças alérgicas, infecciosas, autoimunes e até o câncer, além de favorecer comportamentos de risco como o sedentarismo, a qualidade nutricional ruim, o abuso de álcool, cigarro e drogas”.

Um estudo sobre saúde mental divulgado pela OMS em 2011 apontou que depressão é uma questão grave de saúde pública em todas as regiões do mundo. O estudo, conduzido em 30 países revelou que a ocorrência de transtornos mentais é duas vezes maior em mulheres. No Brasil, a pesquisa foi realizada no estado de São Paulo e apontou que 20% das mulheres apresentam episódios depressivos pelo menos uma vez ao longo da vida.

“Uma das justificativas para isso seria o acúmulo de responsabilidades sociais e expectativas no papel feminino que se intensificaram no último século, e embora representem conquistas importantes, trouxe ao universo feminino um desdobramento entre o passado e o contemporâneo num acúmulo de tarefas e expectativas que muitas vezes a levam a um colapso emocional”, explica a ginecologista. 

Já a ansiedade, segundo a OMS, atinge 1 a cada 3 pessoas no mundo, o que representa 4% da população global. Entre as mulheres, 42% sofrem desse transtorno, que é definido pela Organização como sentimento constante de preocupação, de incapacidade, frustração e medo, pode manifestar-se fisicamente com náuseas, taquicardia ou “aperto” no peito, dor no estômago, problemas no sono, dificuldade de manter a concentração, entre outros.

A especialista explica ainda que a observação desses transtornos de natureza mental também deve ser avaliada na conversa com o ginecologista, que muitas vezes é o único veículo de comunicação dessa mulher e que pode, assim, indicar cuidados que vão muito além dos exames periódicos.

Atividade Física

Outro aspecto importante na abordagem da saúde da mulher é seu estado nutricional e a realização de atividades físicas. Em uma visita ao ginecologista, o médico pode fazer o diagnóstico de distúrbios alimentares, como obesidade, anorexia ou bulimia ou mesmo comportamentos nutricionais, que se refletem no perfil metabólico e agravam doenças como diabetes, cardiopatias, hipertensão e hipercolesterolemia..

A atividade física também faz parte das atitudes que são necessárias para que a mulher mantenha sua saúde em dia como um todo garantindo uma melhor qualidade de vida e longevidade maior. No mundo contemporâneo onde desde muito jovens as mulheres assumem uma rede de compromissos entre trabalho, estudo, família e entretenimento, é comum ouvir o discurso que justifica a vida sedentária: “a falta de tempo”.  

“Nos últimos anos, as pesquisas médicas apontam que boa parte da falta de saúde tem relação íntima com a falta de atividade física. Podemos observar que pessoas ativas são mais autoconfiantes, menos deprimidas e estressadas, apresentam maior vigor físico resistindo mais às doenças, mantém um peso dentro da normalidade e apresentam uma pressão arterial e frequência cardíaca em níveis mais baixos que uma pessoa sedentária", pontua.

A profissional ainda afirma que pessoas ativas possuem maior volume de oxigênio pulmonar, o que facilita suportar atividades de longa duração com mais facilidade, melhora a postura e combate os maus hábitos como cigarro, álcool e outras drogas.

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