Campanha reforçada

Cigarro, álcool e HPV aumentam risco de câncer de cabeça e pescoço

No "julho verde" o alerta para a prevenção ao tabaco é reforçado

09:35 · 17.07.2017
cancer de cabeça
Atualmente, com o aumento do diagnóstico precoce e os tratamentos mais modernos, a taxa de cura é de 65% a 70% ( Foto: Divulgação )

Julho é o mês em que se faz o alerta para a prevenção ao tabaco, a bebidas alcoólicas e ao papilomavírus (HPV). No "julho verde", são reforçadas as campanhas contra o câncer de cabeça e pescoço. 

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que mais de 10 mil pessoas tenham morrido de câncer de laringe e cavidade bucal em 2015, de acordo com o levantamento mais recente.

A taxa de incidência apurada no país este ano pelo Inca mostra que homens são os mais afetados por esse tipo de câncer. Para o câncer de laringe, foram 6.360 novos casos de homens e 990 casos em mulheres. O câncer da cavidade oral afetou 11.140 pacientes masculinos e 4.350 mulheres.

Os tumores do câncer de cabeça e pescoço se manifestam em lesões na boca, na faringe, na laringe e na tireoide. Não são classificados nessa modalidade de câncer os tumores no cérebro e nos olhos. 

Segundo o diretor do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital A.C. Camargo, Luiz Paulo Kowalski, a automedicação e a falta de diagnóstico correto fazem com que de 70% a 80% dos pacientes cheguem ao médico com a doença em estado avançado.

Os sintomas do câncer duram mais de duas semanas e incluem lesões brancas ou vermelhas, feridas, caroços, incômodo para engolir, rouquidão, dor e desconforto. 

“São sintomas que se confundem com doenças comuns. No caso da doença comum, em duas semanas os sintomas desaparecem, com ou sem tratamento. O câncer vai se tornando cada vez pior, os sintomas só se agravam. Aí deve despertar a atenção, 15 dias é o ponto chave”, esclarece o médico.

No caso de doença avançada, os sintomas são dor, sangramento, perda de dentes e perda de peso. O diagnóstico precoce traz mais chances de cura ao paciente. 

Há 20 anos, a taxa média de cura era 50%. Atualmente, com o aumento do diagnóstico precoce e os tratamentos mais modernos, esse índice passou para entre 65% e 70%. Os tumores de tireoides têm ainda mais sucesso, com taxa de cura superior a 90%.

Prevenção

Evitar os principais fatores de risco, como o cigarro, são a mais importante forma de prevenção. 

Segundo Luiz Paulo, os diversos componentes químicos da combustão do tabaco, com forte potencial cancerígeno, afetam a boca, a garganta e a laringe. 

“As pessoas que fumam um maço por dia, por 20 anos, têm risco de cinco a dez vezes maior que a pessoa que nunca fumou. Se beber, aumenta de 60 a 80 vezes esse risco”, adverte.

A ingestão de bebidas alcoólicas é outro fator prejudicial. “O álcool é um solvente que facilita a penetração dos agentes cancerígenos na mucosa. 

O indivíduo que bebe muito, se alimenta mal e não tem cuidado com higiene oral, aumenta a proliferação de bactérias, que podem produzir infecções crônicas”, explica.

O HPV também é fator de risco e pode ser transmitido para a boca por meio de sexo oral ou até pelo beijo. 

A incidência do HPV alterou o perfil do paciente, que antes era, em sua maioria, pessoas entre 55 e 60 anos. 

Com o vírus, a faixa etária diminuiu para 30 a 40 anos, predominante até entre pessoas que não fumam ou bebem. Outras questões como dieta pobre em frutas e verduras também aumentam os riscos.

Tratamento

A tratamento nos estágios iniciais podem incluir cirurgia ou radioterapia. Com o avanço do câncer, a quimioterapia ou a combinação das terapias também passam a ser indicadas. 

Kowalski destaca que a cirurgia, nos tempos atuais, deixaram de ter caráter mutilador. “Temos mídia assistida, laser, robótica e técnicas mais refinadas de reconstrução. Hoje, conseguimos retirar os tumores sem deixar sequelas significativas para o paciente, o sucesso do tratamento melhorou muito”, destaca.

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