Avanço

Cientistas criam novo teste rápido para o zika

O exame utiliza o mesmo princípio de testes para o HIV

16:00 · 23.02.2018
Zika
No novo teste, adaptado do exame para detecção do HIV, os cientistas utilizaram um método conhecido como "amplificação isotérmica" ( Foto: Divulgação )

Um novo teste capaz de detectar o zika em minutos está sendo desenvolvido por pesquisadores da New York University, nos Estados Unidos, a exemplo do teste já elaborado no Brasil, no Instituto de Ciências Biomédicas da USP. A diferença é que a estratégia usou o mesmo princípio utilizado em testes rápidos para o HIV, já vendido em farmácias.

Em dois trabalhos científicos, cientistas demonstraram que adaptações permitiram que o exame também detectasse o zika.

"Quando desenvolvemos o teste do HIV, sabíamos que podíamos usar o mesmo modelo para qualquer doença infecciosa", disse Daniel Malamud, professor na New York University.

Segundo o professor, é necessário conhecer a sequência genética do vírus para que o teste seja eficaz. Também é preciso conhecer estruturas específicas do vírus que possam ser usadas como "alvo" para o teste.

Após várias iniciativas que mapearam a sequência genética do zika, o desenvolvimento do teste foi possível. "O recente surto de vírus Zika confirma que precisamos de um programa eficaz de vigilância e diagnóstico para reduzir o impacto de futuras doenças infecciosas emergentes", disse, em nota, Maite Sabalza, pós-doutoranda na New York University e primeira autora do estudo.

Técnica

Atualmente, o teste mais utilizado no mundo para detectar o zika mais conhecido é o PCR (Reação em cadeia da polimerase em tempo real). Esse teste é mais demorado porque ele faz cópias de RNA do vírus para que eles sejam analisados.

O teste utilizado no Brasil detecta o zika em 15 minutos com a contagem de anticorpos (as células de defesa utilizadas para combater a infecção).

No novo teste, adaptado do exame para detecção do HIV, os cientistas utilizaram um método conhecido como "amplificação isotérmica". Com ele, pesquisadores conseguem ampliar o vírus até o ponto em que ele é detectado. Isso "pula" o passo de copiar o RNA dos testes de PCR.

Eles também conseguiram adaptar o testes para que ele seja capaz de dar informações sobre a carga viral (a quantidade de cópias dos vírus presentes no organismo, que dão uma idea da gravidade da infecção).

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