Pesquisa

Catarata atinge mais mulheres do que homens, diz estudo

A doença é umas das principais causas de cegueira no Brasil

09:00 · 18.03.2018
catarata
Os principais sintomas da catarata incluem baixa gradual e progressiva da visão ( Foto: Divulgação )

Pesquisadores chineses reavaliaram informações registradas entre 1990 e 2015, chegando à conclusão de que a catarata tem uma incidência bem maior entre mulheres do que entre homens. Além disso, nas mulheres predomina uma característica de sensação de irritação ocular

Ao comparar homens e mulheres da mesma idade, estudo comprovou que elas apresentam maior presença de catarata, sendo que a doença tende a aumentar nos anos que seguem.  Os motivos para essa diferenciação não estão muito bem definidos, mas acredita-se que a queda nos níveis de estrogênio durante a menopausa seja um fator relevante. Por outro lado, há pesquisas indicando que o simples fato de as mulheres viverem mais do que os homens contribui para esse tipo de conclusão.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a catarata é a principal causa de cegueira no Brasil (quase 50% dos casos). Em seguida, aparecem o glaucoma (15%) e a retinopatia diabética (7%). A catarata é progressiva e vai deixando o cristalino todo embaçado, até a pessoa não enxergar quase nada. Antes disso, entretanto, ela já perdeu autonomia para fazer suas atividades diárias, trabalhar e até mesmo se locomover sozinha. Segundo o oftalmologista Renato Neves, é importante prestar atenção em sintomas comuns e consultar um especialista tão logo comecem a surgir ‘nuvens’ embaçando a visão.

Segundo o médico, os principais sintomas da catarata incluem baixa gradual e progressiva da visão; impressão de que os objetos parecem estar amarelados, embaçados ou distorcidos; dificuldade para se locomover à noite ou em ambientes mal iluminados; sensação de ofuscamento da visão na presença de muita claridade; estresse intenso e falta de interesse pelas atividades rotineiras. 

Apesar de o principal fator de risco estar relacionado à idade, outras situações podem contribuir para a formação da catarata, como diabetes, trauma ocular, medicamentos de uso contínuo, consumo excessivo de álcool, superexposição ao sol e fumo, entre outros.  

De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil são realizadas quase 600 mil cirurgias do tipo por ano. A cirurgia para remoção da catarata, seguida do implante de lentes intraoculares (LIOs), não só possibilita ao paciente voltar a enxergar, como ainda rejuvenesce a visão e aumenta a segurança na locomoção. 

“A técnica mais utilizada para o tratamento da catarata ainda é a facoemulsificação – pequena cirurgia que remove a doença. O paciente recebe anestesia tópica, à base de colírios, e depois disso é feita uma incisão em degrau de cerca de dois milímetros na esclera (parte branca do olho) ou na córnea clara (no limite entre a córnea e a esclera). Com o ultrassom, a catarata é fracionada em partículas microscópicas e, posteriormente, aspirada. Na sequência, é implantada uma lente intraocular (LIO)”, diz Neves – explicando ainda que a incisão em degrau faz com que o olho permaneça completamente selado pela pressão natural externa.

Mas a grande conquista nesse campo é o uso do laser de femtossegundo, que garante mais precisão em cada uma das principais etapas envolvidas na cirurgia. De acordo com o cirurgião, os excelentes resultados obtidos com essa técnica compensam de longe os altos investimentos no equipamento. 

“Enquanto na cirurgia tradicional a incisão na córnea é feita manualmente, nesse procedimento as estruturas do olho são analisadas por um tomógrafo de coerência óptica tridimensional e as incisões e a fragmentação da catarata são realizadas com uso do laser, garantindo uma recuperação mais rápida para os pacientes.”

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