Cardiopatia congênita

Cardiopediatra fala sobre a importância do 'teste do coraçãozinho'

O teste simples oferecido pelo SUS pode salvar o coração do bebê

09:00 · 10.06.2018
Bebês
Bebês com retardo de crescimento intrauterino ou distúrbios do ritmo cardíaco são mais suscetíveis a nasceram com cardiopatia congênita ( Foto: Lucas de Menezes )

No Brasil, perto de 29 mil crianças nascem com cardiopatia congênita por ano (1% do total). Segundo o Ministério da Saúde, 80% dessas crianças (ou 24 mil) precisam ser operadas, metade delas no primeiro ano de vida, mas somente 9.000 conseguem chegar à cirurgia de correção. O teste do coraçãozinho, logo no nascimento da criança, pode detectar alguma anomalia.

“O teste do coraçãozinho é muito simples e pode ser realizado entre 24 e 48 horas de vida do recém-nascido”, afirma Dra. Vanessa Guimarães, cardiopediatra formada pela Faculdade de Medicina da USP. 

O baixo número dessas operações frente à demanda deve-se não somente à insuficiência de serviços de saúde aptos a realizar essas cirurgias mas também ao diagnóstico tardio. A atenção ao teste do “coraçãozinho”, um simples exame de diagnóstico não-invasivo realizado logo ao nascimento pode mudar essa estatística, afirma a especialista. 

Segundo ela, a estimativa é de menos de 50% das cardiopatias congênitas são diagnosticadas no pré ou no pós-natal imediato. “Esse é um grande problema porque quanto mais cedo a malformação cardíaca for diagnosticada, melhores as chances de sua cura, seja com tratamento medicamentoso, cateterismo ou cirurgia, ou de convivência com o problema mantendo uma boa qualidade de vida”. 

São mais suscetíveis a nasceram com o problema bebês com retardo de crescimento intrauterino ou distúrbios do ritmo cardíaco, além de filhos de mães com lúpus, diabetes melitus ou que tiveram rubéola ou outras infecções demandantes do uso de medicamentos teratogênicas. O histórico familiar de malformação cardíaca congênita , pelo lado materno ou paterno, também é um fator de risco a ser considerado. 

Em 20% dos casos, a regressão total da doença é espontânea, explica Vanessa. Nos outros 80%, a malformação pode variar desde problemas mais simples, como a valva aórtica bicúspide (o normal é ela ser tricúspide), que podem não precisar de cirurgia mas apenas de acompanhamento de cardiopediatra, até os mais complexos. Entre estes, está a transposição das grandes artérias, malformação em que o paciente nasce com a aorta e a artéria pulmonar emergindo de ventrículos opostos. O problema gera uma mudança completa na circulação sanguínea, com impactos importantes na oxigenação do sangue. 

Simples 

O teste do coraçãozinho realiza a medição do nível de oxigênio no sangue utilizando um oxímetro de pulso, em todo recém-nascido aparentemente saudável, com idade gestacional acima de 34 semanas, antes da alta hospitalar. A medição é realizada entre 24 e 48 horas de vida, no braço direito e também em uma das pernas, sendo que ambas precisam estar aquecidas. 

O procedimento é eficiente para indicar a anomalia em 75% dos casos, índice que é bastante bom, explica a Dra. Vanessa. “O teste deve fazer parte do arsenal de diagnóstico neonatal do hospital em que a criança nascer. Se não fizer, os pais devem exigi-lo. São medidas simples que podem salvar muitas vidas. 

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