Clima frio

Cardiologista explica a relação da hipertensão arterial com mudança de temperatura

Estudos indicam o crescimento mundial de 60% dos casos da doença até 2025

12:51 · 23.04.2018
Hipertensão
Um período em que os cuidados com a hipertensão devem ser redobrados é quando as temperaturas caem ( Foto: Divulgação )

Segundo a Organização Mundial da saúde, a Hipertensão Arterial afeta cerca de 600 milhões de pessoas no mundo e causa 7,1 milhões de mortes anuais. As causas são várias, desde genética a hábitos alimentares, e mudanças na temperatura podem estar relacionadas a doença. Além disso, estudos indicam o crescimento mundial de 60% dos casos da doença até 2025.  

No fim de 2017, a Sociedade Americana de Cardiologia redefiniu, pela primeira vez em 14 anos, os índices para a pressão arterial elevada. Antes, apenas quando atingia o número de 140/90 mmHg (popularmente, pressão 14 por 9) era considerado hipertensão. Agora, depois de muitas pesquisas, ficou estabelecido que acima de 130/80 mmHg já há risco de complicações na saúde. 

Um período em que os cuidados com a hipertensão devem ser redobrados é quando as temperaturas caem. “Há uma relação direta entre clima frio e hipertensão. No período, aumentam resfriados, gripes e também existe tendência de alterações circulatórias, como a elevação da pressão arterial. Ainda, nesta época do ano, a poluição do ar atmosférico piora, o que também pode aumentar a pressão”, explica o cardiologista do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Dr. Fernando Barreto.

O especialista explica que esta relação ocorre por um mecanismo natural chamado de homeostase, em que o organismo humano lança de várias táticas para manter a temperatura corporal constante, por volta dos 36,5ºC. “Isso faz com que a ativação do sistema simpático seja caracterizada pelo aumento dos batimentos cardíacos, vasoconstrição e aumento da concentração de açúcar no sangue.

Como a nossa pressão arterial é resultado de uma multiplicação da frequência cardíaca com a resistência vascular, o número elevado de ambos em temperaturas mais baixas pode agravar quadro de pacientes hipertensos ou subir a pressão daquelas que não sofrem com isso.

Entre os fatores que modificam a pressão arterial em temperaturas baixas estão o aumento de carboidratos e gorduras nas refeições para compensar o frio, além da diminuição de atividades físicas.

“É importante manter uma dieta adequada, com pouco sal, e se exercitar. Essas duas medidas combinadas são capazes de prevenir as complicações da hipertensão, como infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC), mais conhecido por derrame”, alerta o cardiologista. Para os já hipertensos, é preciso manter o uso regular de medicação, além de acompanhamento contínuo com médico especialista.

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