Diagnóstico

Câncer de pulmão pode ter origem em mutação genética

A doença é responsável por 18% das mortes por tumores no mundo

08:00 · 25.01.2018
câncer de pulmão
Novas opções de tratamento têm chegado ao Brasil nos últimos anos, ampliando as expectativas de resultados positivos no combate ao câncer de pulmão, como as terapias-alvo ( Foto: Divulgação )

Vinculado ao tabagismo e a poluição, o câncer de pulmão é uma ameaça que coloca em evidência a necessidade de se adotar um estilo de vida saudável. Entretanto, por ter mais de 30 subtipos, a doença também pode ser desencadeada a partir de uma mutação genética. É o caso do adenocarcinoma com mutação do Receptor do Fator de Crescimento Epidérmico (EGFR), que, em geral, ocorre em pacientes não fumantes, e acomete cerca de 20% das pessoas com câncer de pulmão. 

O adenocarcinoma com mutação do EGFR geralmente é diagnosticado tardiamente, reduzindo as expectativas de sucesso no tratamento. “A semelhança dos sintomas aos de uma gripe comum pode dificultar o diagnóstico, que muitas vezes é realizado apenas em fases avançadas da doença. Por isso, é importante que as pessoas procurem auxílio médico no caso de sintomas como tosse, catarro, falta de ar progressiva, sangue no escarro e dor no peito”, afirma Carlos Barrios, oncologista e diretor do Hospital do Câncer Mãe de Deus, de Porto Alegre (RS). 

Ao constatar o câncer, recomenda-se que o paciente realize testes para identificar o subtipo correto da doença, segundo o médico. “No Brasil, ainda é pouco disseminada a importância da realização de exames específicos, como a testagem para mutação do EGFR. Porém, ela é essencial. O exame propicia o tratamento mais adequado para cada paciente, melhorando o prognóstico e os resultados do tratamento”, ressalta o oncologista.

Diagnóstico

O câncer de pulmão geralmente é detectado em exames de imagem como a tomografia e o diagnóstico é confirmado por meio de uma biópsia do tecido pulmonar. Em caso de adenocarcinoma, o tipo mais comum de câncer de pulmão, é obrigatória a realização de um exame genético (molecular) para pesquisa de mutações. 

Muitos brasileiros enfrentam, ainda hoje, dificuldades na identificação exata de sua patologia. Mas existe um conjunto de testes laboratoriais capazes de identificar mutações específicas nas células tumorais do câncer de pulmão e, a partir dos resultados, orientar os pacientes para um tratamento mais eficaz.

Tratamento

Novas opções de tratamento têm chegado ao Brasil nos últimos anos, ampliando as expectativas de resultados positivos no combate ao câncer de pulmão, como as terapias-alvo. Elas utilizam princípios ativos ou outras substâncias para identificar e atacar especificamente as células cancerígenas, poupando as células sadias. Por funcionar de maneira diferente dos quimioterápicos convencionais, muitas vezes as terapias têm menos efeitos colaterais.

Segundo estudos clínicos, pacientes tratados com terapias como o afatinibe, terapia-alvo específica para o tratamento do tumor com mutação do EGFR, apresentam o dobro da probabilidade de aumento na sobrevida e sem progressão da doença em dois anos, quando comparado ao tratamento quimioterápico.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.