No Brasil

Câncer de laringe corresponde a 25% dos tumores de cabeça e pescoço

Tabaco e álcool são considerados os principais fatores de risco da condição

16:00 · 13.04.2018
dor de garganta
Caso não haja tratamento na fase inicial do câncer de laringe, a rouquidão pode evoluir para dor durante a deglutição (ato de engolir) e falta de ar ( Foto: Divulgação )

No próximo dia 16 comemora-se o Dia Mundial da Voz e um dos cânceres responsáveis pela perda vocal ou alterações irreversíveis é o câncer de laringe. A doença atinge as cordas vocais e corresponde a 25% dos tumores da região da cabeça e pescoço e 2% de todos as doenças malignas. 

Embora ocorra a diminuição dos novos casos de câncer de laringe, em cerca de 2 a 3%, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que para cada ano do biênio 2018/2019, sejam diagnosticados, no Brasil, 7.670 novos casos (6.390 em homens e 1.280 em mulheres). Esses valores correspondem a um risco estimado de 6,17 casos a cada 100 mil homens e 1,20 a cada 100 mil mulheres.

A ocorrência da doença pode ser na laringe supraglótica, na glote e ou na subglote. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem nas cordas vocais (região glótica), e 1/3 na laringe supraglótica (acima das cordas vocais). O tipo histológico mais prevalente, em mais de 90% dos pacientes, é o carcinoma epidermoide. Estudos apontam que há uma nítida associação entre a ingestão excessiva de álcool e o tabagismo com o desenvolvimento de câncer nas vias aerodigestivas superiores, sendo o tabagismo o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de laringe.

“O álcool e o tabaco são os maiores inimigos da laringe. Fumantes têm 10 vezes mais chances de desenvolver esse tipo de câncer. Em pessoas que associam o fumo e bebidas alcoólicas, esse número sobe para 43”, explica o médico cirurgião de cabeça e pescoço Dr. Erivelto Volpi.

O sintoma mais comum é a rouquidão persistente e sem causa aparente. “A rouquidão proveniente de tumores é diferente da rouquidão relacionada ao esforço vocal ou à laringite ligada a processos gripais, pois não vem acompanhada de febre ou dor, é progressiva e persiste”, alerta Dr. Erivelto.

Caso não haja tratamento na fase inicial do câncer, a rouquidão pode evoluir para dor durante a deglutição (ato de engolir) e falta de ar. Na fase mais avançada, podem aparecer nódulos no pescoço.

Tratamento 

De acordo com a localização e a extensão do câncer, ele pode ser tratado com cirurgia e/ou radioterapia e com quimioterapia associada à radioterapia. Quanto mais precocemente for feito o diagnóstico, maior a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas e problemas psicossociais, já que a terapêutica dos cânceres da cabeça e do pescoço pode causar problemas nos dentes, fala e deglutição. A laringectomia total (retirada da laringe) implica na perda da voz fisiológica e em traqueostomia definitiva (abertura de um orifício artificial na traqueia, abaixo da laringe).

“No tratamento atual do câncer de laringe, a preservação da voz e a ausência de traqueostomia são possíveis, para isso técnicas cirúrgicas minimamente invasivas são utilizadas, bem como novos agentes quimioterápicos e modernas técnicas de radioterapia”, afirma o médico. 

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