Alerta

Campanha tenta mostrar a importância de meninos procurarem o urologista desde cedo

Meninas, após a primeira menstruação principalmente, sempre têm acompanhamento médico, mas meninos não

01:34 · 09.09.2018

Minha filha já “virou mocinha”. A expressão muito utilizada para descrever a menarca (primeira menstruação) é marcante para as meninas, característica do período da puberdade e, muitas vezes, seguida pela primeira consulta ao ginecologista. Enfrentando mudanças físicas e psicológicas semelhantes, os adolescentes do sexo masculino se encontram desamparados por, culturalmente, não possuírem a mesma assistência médica nessa fase. Em vista disto, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) realiza, neste mês de setembro, a Campanha "#VemProUro - Orientação em Saúde do Adolescente Masculino" para marcar o Dia Nacional do Adolescente (21/09). 

O Brasil possui 8,4 milhões de adolescentes entre 15 e 19 anos, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2018. Nessa faixa etária, o garoto do sexo masculino possui uma série de questionamentos, que vão desde alterações do corpo ao uso do preservativo, e que podem ser esclarecidos por um médico urologista, além da prevenção de  Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST's). 

“Isso também afeta de uma maneira positiva como o homem adulto se relacionará com o seu médico no futuro, com menos preconceitos e mais naturalidade”, afirma o médico urologista e coordenador da campanha, Dr. Daniel Suslik Zylbersztejn, membro do Departamento de Sexualidade e Reprodução da SBU. A preocupação com a saúde do homem é tamanha, em todas as idades, que a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) decidiu lançar, juntamente à campanha "Novembro Azul", a versão infantil "Novembrinho Azul". A iniciativa está sendo estruturada, mas será viabilizada ainda esse ano. O presidente da SBU, Dr. Sebastião Westphal, esclarece que o urologista também está apto a investigar problemas observados desde o nascimento. “Pode-se detectar testículos ausentes da bolsa testicular, altera& ccedil;ões na anatomia e função do trato urinário já nessa época”, explica.

Prevenção essencial

Meninos e urologistaMuitos associam a ida ao urologista apenas após os 50 anos devido à necessidade de exames da próstata, mas, para que o acompanhamento do desenvolvimento puberal ocorra de forma adequada, recomenda-se que o menino com cerca de 11 anos de idade já seja consultado por um especialista. “Quando existe alguma queixa urológica, a criança deve ir ao urologista em qualquer idade. No caso do adolescente, o ideal é que a consulta seja anual para que, além da prevenção e da orientação, seja possível identificar algumas doenças que são mais frequentes nos jovens”, diz Dr. George Rafael Martins, presidente da SBU (Regional Ceará).

Entre as enfermidades urológicas mais frequentes na adolescência estão a varicocele, o tumor no testículo, as DST's nos jovens que já iniciaram a vida sexual, assim como as inflamações na glande do pênis. Além disso, maus hábitos  podem desencadear problemas na fase adulta. “Há muitos produtos - anabolizantes e produtos a base de testosterona - que o jovem usa na academia sem qualquer orientação médica e não sabe que isso poderá causar infertilidade e até mesmo problemas na saúde em geral”, alerta o coordenador da Campanha #VemProUro, Dr. Daniel Zylbersztejn.

A imunização é outro problema recorrente em adolescentes. Entre as vacinas a serem tomadas (e que muitos jovens desconhecem): a que protege contra o Vírus Papiloma Humano (HPV) e a tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola).

Novembro Azul: campanha contra o preconceito

Conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata e outras doenças comuns em homens é o objetivo da campanha "Novembro Azul". Criada em 2003, na Austrália, como o nome "Movember", foi trazida para o Brasil, em 2008,  pelo Instituto Lado a Lado pela Vida em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Vale ressaltar que este mês foi escolhido por conta do Dia Mundial do Combate ao Câncer de Próstata, comemorado em 17 de novembro.

A campanha também trata diretamente de esteriótipos da sociedade, uma vez que busca quebrar o preconceito que muitos homens têm em relação ao exame de toque. Especialistas confirmam ser este indispensável e não pode ser substituído pelo exame de sangue ou de ultrassom, por exemplo. A investigação, que  envolve a palpação da próstata pelo reto (porção final do intestino grosso), ainda motiva piadas entre os homens, que costumam fazer uma alusão ao sexo anal. A SBU recomenda que todos os homens com 45 anos de idade ou mais façam um exame de próstata anualmente (toque retal e PSA). 

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