Desafio

Campanha de prevenção do suicídio foca na busca por ajuda

Com apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV) e voltada ao público jovem, iniciativa desmistifica um assunto que ainda é tabu no País

09:44 · 23.08.2018
Depressão
Recomenda-se fortemente que os profissionais de saúde falem sobre suicídio com pacientes sob risco e alguns trabalhos sugerem, inclusive, as melhores estratégias e questionamentos para abordar o assunto ( Foto: Divulgação )

Pessoas que cometem suicídio frequentemente dão ampla indicação de sua intenção, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). E, muitas vezes, chegam a procurar ajuda antes desse desfecho. Cerca de 1 a cada 5 pacientes que tentaram o suicídio passaram por uma consulta médica um mês antes do episódio, de acordo com um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) a partir de 80 indivíduos atendidos em um pronto-socorro. 

Um outro estudo, publicado no fim do ano passado, reafirma que muitos indivíduos que passam por tentativas de suicídio tendem a visitar seu médico nos meses anteriores ao episódio. O trabalho aponta, por outro lado, que grande parte desses pacientes não chega aos serviços médicos por meio do psiquiatra e destaca que o processo de identificação das pessoas sob risco de suicídio ainda é um grande desafio para os profissionais da atenção primária.

“Muitas vezes quem está em contato com esse paciente é o clínico geral, ou o ginecologista, o cardiologista. Por isso, é preciso fortalecer as discussões sobre o suicídio e vencer esse tabu em todas as esferas sociais: dos profissionais de saúde à sociedade em geral, incluindo familiares e amigos, que também podem ter papel fundamental no acolhimento e na prevenção do problema”, afirma o diretor médico da Pfizer, Eurico Correia.

Em alguns grupos específicos, como é o caso dos adolescentes, a identificação de pacientes sob risco de suicídio ou pode ser ainda mais desafiadora. “Muitas vezes, características que poderiam sugerir quadros depressivos e um risco aumentado para o suicídio são confundidas com estereótipos associados a uma determinada faixa etária, como a ideia de que adolescentes são sempre mais explosivos ou distantes da família que pessoas de outras idades”, completa o médico.

Setembro Amarelo

A importância de vencer o silêncio social associado ao tema e buscar ajuda impulsiona a ação digital #SAIADASOMBRA, uma iniciativa lançada pela Pfizer, com apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV), como forma de contribuir para as atividades educativas da campanha global Setembro Amarelo, que tem como foco o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado no próximo dia 10.

Vale destacar que, desde 2012, a taxa de suicídio em brasileiros de 15 a 29 anos subiu quase 10%, segundo a edição de 2017 do Mapa da Violência, um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Globalmente, o problema já representa a segunda principal causa de mortes em jovens dessa faixa etária, de acordo com a OMS.

“Considerando a relação entre os transtornos mentais e o suicídio, em especial a depressão, o diagnóstico precoce dessas doenças deve ser a prioridade. Vale destacar que estamos falando de enfermidades para as quais existe tratamento, o que significa que o suicídio, em grande parte, pode ser prevenido a partir da adoção de medidas adequadas. Assim, entendemos que desmistificar o assunto, aumentando o debate e encorajando as pessoas na busca por ajuda, é uma forma de contribuir com toda a sociedade”, afirma Correia.

Como ajudar?

A literatura médica recomenda que os profissionais de saúde falem sobre suicídio com pacientes sob risco e alguns trabalhos sugerem, inclusive, as melhores estratégias e questionamentos para abordar o assunto.  

“Perguntas mais genéricas sobre as perspectivas de vida e os planos desse indivíduo para o futuro podem ajudar a introduzir a temática com leveza, mas é importante que se fale abertamente sobre aspectos mais específicos, como tentativas anteriores de suicídio ou acesso a ferramentas letais, tais como armas de fogo, venenos e remédios. Dessa forma, o médico pode fazer o encaminhamento adequado”, destaca Correia.

Se de um lado o trabalho educativo com os profissionais de saúde se mostra uma ferramenta essencial entre as estratégias de prevenção do suicídio, em outra perspectiva o acolhimento por parte da rede de apoio formada por amigos e familiares também adquire grande importância. É essencial ouvir o indivíduo com calma e empatia, sem julgamentos, demonstrando cuidado e afeição. Já se sabe que falar e perguntar sobre o suicídio não vai induzir a pessoa ao ato. Ao contrário: é a solidão que pode potencializar o risco nesses casos.

Reconhecido pelo Ministério da Saúde, o CVV presta um serviço gratuito de prevenção do suicídio. A equipe de voluntários fica disponível para acolher e atender qualquer pessoa que busque apoio emocional, sempre sob sigilo, por telefone (188), chat, e-mail ou pelo site www.cvv.org.br.

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