Prevenção

Campanha aborda incidência de doenças renais nas mulheres

Dia Mundial do Rim será celebrado em 8 de março

16:00 · 05.03.2018
dor nos rins
No Brasil, os números de mortalidade do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que 11.115 mulheres morreram entre 2006 e 2015 por conta de tumores renais ( Foto: Divulgação )

Neste ano, o Dia Mundial do Rim será celebrado em 8 de março. Por ser na mesma data que o Dia Internacional da Mulher, o tema de 2018 é “Saúde da Mulher – Cuide dos seus rins”. A campanha é promovida pela Sociedade Internacional de Nefrologia (ISN) há 13 anos, já a Sociedade Brasileira de Nefrologia é quem promove a conscientização para doenças renais por aqui.

No Brasil, os números de mortalidade do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que 11.115 mulheres morreram entre 2006 e 2015 por conta de tumores renais, considerando o tumor de rim, da pelve renal e da glândula suprarrenal. Esses números têm se agravado a cada ano, pois em 2007 foram registradas 908 mortes e em 2015, um total de 1.416.

A conscientização do dia 8 serve para, além de orientar a população para que se prontifique a mudar hábitos alimentares e físicos, alertar forças públicas a manejarem a saúde em prol de diagnósticos e tratamentos rápidos e precisos. Para que isso se torne efetivo, diferentes especialidades médicas precisam estar alinhadas.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Dr. Clóvis Klock, todo o sistema de saúde pública segue descoordenado. “Não é difícil encontrar na fila do SUS pessoas que dão voltas para parar no mesmo lugar, não há orientações e o processo nem sempre funciona como uma engrenagem, algo que deveria funcionar”, opina.

De fato é possível reunir alguns números que demonstram essa falta de sincronização. No mesmo período de 10 anos, entre 2006 e 2015, mais de 414 mil pessoas morreram de causas mal definidas, porém evitáveis, segundo o SUS. Para o médico patologista, esse é um reflexo da falta de infraestrutura dos órgãos públicos para o diagnóstico, mostrando quanta falta faz o não investimento em anatomopatologia, especialidade que também relata as condições pós-mortem.

“O Sistema não consegue lidar por conta própria com as análises anatomopatológicas, o que adiantaria o processo de tratamento, e não dialoga com laboratórios particulares, o reajuste da Tabela que determina o quanto o SUS paga para um médico patologista por procedimento segue desatualizada, isso gera diversos outros problemas”.

Os problemas em questão estão além da fila para descobrir o que cada paciente tem, uma bola de neve surge nas filas por tratamentos. Em dezembro de 2017, o Conselho Federal de Medicina (CFM) apontou que em 16 estados estudados mais de 900 mil pacientes estão em filas de cirurgias eletivas, espera que pode demorar mais de 10 anos em alguns casos. Só em Minas Gerais há mais de 220 pessoas esperando por cirurgias no rim.

“Além de dificultar o caminho da cura para alguns, o impasse e a demora fomentada pelo SUS lima a qualidade de vida desses pacientes. A regularização de diagnósticos pelas entidades públicas pode culminar em formas de encontrar outros métodos não invasivos de combate às doenças, desafogando a grande fila que dura até uma década”, finaliza Klock.

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