Aumento de casos

Campanha aborda a relação entre envelhecimento e despreparo no atendimento de fraturas ósseas

No Brasil, o número de idosos deve dobrar até 2020, de 15 milhões para 32 milhões e chegar a 64 milhões (30% da população total) até 2050

10:26 · 06.07.2018 / atualizado às 10:27
Fraturas
Osteoporose, quedas e fraturas por fragilidade estão entre os incidentes que mais aumentaram nos últimos anos entre idosos ( Foto: Divulgação )

Atualmente, a humanidade passa pela maior mudança demográfica da história e, apenas no Brasil, o número de idosos deve dobrar até 2020, de 15 milhões para 32 milhões e chegar a 64 milhões (30% da população total) até 2050. Osteoporose, quedas e fraturas por fragilidade estão entre os incidentes que mais aumentaram nos últimos anos entre a população idosa. Em vista disto, a Fragility Fracture Network (FNN), lançou uma campanha global para conscientização sobre a relação entre o envelhecimento da população mundial e o aumento de fraturas ósseas

A professora Monica Rodrigues Perracini, dos Programas de Mestrado e Doutorado de Fisioterapia da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), e uma das responsáveis por levar a campanha pela América Latina, juntamente a professora da Unesp, Dra. Adriana Machado, fala sobre o despreparo no atendimento a idosos. 

“Os países não estão preparados para o envelhecimento da população. Nós percebemos que, a maioria dos pacientes idosos não recebem orientações e tratamentos adequados para prevenir novas fraturas. Cerca de 80% das pessoas com fraturas por fragilidade continuam não identificadas e não tratadas. Com a campanha, nós queremos conscientizar a respeito da implementação de métodos sistemáticos de cuidados para esse problema”, explica Monica.

A docente Monica Perracini, especialista em Gerontologia, lidera um estudo, por meio de pesquisas acadêmicas da Unicid e com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que visa comprovar a efetividade de um programa de exercícios físicos na melhora da mobilidade funcional em idosos que sofreram fraturas de quadril.

“A incidência dessas fraturas decorrentes de quedas aumenta significativamente com o avançar da idade e cerca de menos da metade dos idosos recupera o nível de mobilidade prévia a fratura. Há evidências crescentes que mostram que intervenções de reabilitação envolvendo programas de exercícios têm um impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes e em várias dimensões da funcionalidade”, explica a professora Monica Rodrigues. 

Congresso 

Em 2010, a ocorrência mundial de fraturas no quadril era de 2,7 milhões de casos por ano. A estimativa é de que este número aumentará para 4,5 milhões de casos por ano até 2050, caso as pessoas idosas não recebam melhores tratamentos e cuidados para prevenção destes problemas. 

Com este cenário, o Apelo Global à Ação da FFN, foi concebido no Congresso Anual da instituição, quando seis organizações líderes se reuniram para determinar como poderiam colaborar de forma mais eficaz para melhorar globalmente o tratamento de fraturas. 

Para a Profa. Monica Rodrigues, a ação representa uma oportunidade de chamar atenção das organizações de saúde para o problema. “A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que os anos 2020-2030 serão a ‘Década do Envelhecimento Saudável’. Acreditamos que esta é uma ótima oportunidade para que a OMS considere as recomendações feitas no Apelo Global à Ação como um facilitador para suas iniciativas globais”, finaliza.

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