Potencial

Brasileiros desenvolvem moléculas sintéticas para tratamento de câncer

Estudo ajuda a compreender o papel das proteínas VRK1 e VRK2 envolvidas na regulação da divisão celular

11:02 · 02.01.2018
laboratório
A função de proteínas do tipo quinase são responsáveis por regular processos importantes do organismo, como divisão, proliferação e diferenciação celular ( Foto: Divulgação )

As proteínas VRK1 e VRK2, envolvidas na regulação da divisão celular, são consideradas potenciais alvos para o tratamento de alguns tipos de câncer, entre eles próstata, ovário e intestino. Com o objetivo de entender melhor o papel dessas substâncias nas células humanas – em um contexto com e sem doença –, pesquisadores brasileiros trabalham no desenvolvimento de pequenas moléculas sintéticas capazes de modular sua atividade em modelos de estudo. 

“Dados da literatura científica indicam que a VRK1 e a VRK2 são encontradas em quantidades mais elevadas nas células malignas do que nas normais, mas sua função exata ainda não é conhecida”, disse Rafael Couñago, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Pesquisa

A função de proteínas do tipo quinase são responsáveis por regular processos importantes do organismo, como divisão, proliferação e diferenciação celular. Embora sejam consideradas alvos prioritários para o desenvolvimento de fármacos, estima-se que apenas 80 das cerca de 500 quinases identificadas no genoma humano já tenham sido bem estudadas.

“VRK significa, na sigla em inglês, algo como quinase relacionada ao vírus vaccínia. O nome se deve ao fato de o primeiro membro desse grupo de proteínas ter sido identificado no genoma viral, embora no genoma humano existam moléculas semelhantes”, explicou Couñago.

Segundo o pesquisador, trabalhos de outros grupos mostraram que, quando o nível dessas proteínas é reduzido artificialmente em laboratório – por exemplo, usando o método do RNA de interferência –, o ciclo celular ocorre de maneira anômala.

“Ninguém sabe exatamente o papel das VRKs no organismo, mas parece ser algo importante porque sua superexpressão está relacionada com diferentes tipos de tumores. Decidimos então fazer a caracterização da VRK1 e 2 para, no futuro, desenvolver moléculas capazes de inibir seletivamente a ação dessas quinases – as chamadas sondas químicas”, disse.

No momento em que uma sonda química com as características desejadas for obtida, os pesquisadores poderão usar essa ferramenta para inibir a ação da VRK em modelos de câncer. “Desse modo, poderemos confirmar se a inibição destas proteínas irá afetar as células tumorais e, assim, validar as enzimas como alvo terapêutico”, afirmou. 

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.