Relação cardiovascular

Brasil registra aumento dos casos de diabetes em mulheres

O número de diagnósticos saltou de 6,3% para 9,9% em uma década

09:57 · 06.04.2018
Diabetes em mulheres
Um levantamento do Ministério da Saúde apontou que o número de casos de diabetes em mulheres saltou de 6,3% para 9,9%, entre 2006 e 2016 ( Foto: Divulgação )

Apesar de não distinguir sexo e acometer homens e mulheres, um levantamento recente sobre o diabetes do Ministério da Saúde apontou que o número de casos em mulheres saltou de 6,3% para 9,9%, entre 2006 e 2016, contra índices de 4,6% e 7,8% registrados entre os homens no mesmo período. O dado preocupa já que 80% dos pacientes com a doença morrem em decorrência de problemas cardiovasculares (como por exemplo, infarto e derrame).

“Existe uma série de causas para essa prevalência do diabetes nas brasileiras e a maioria está relacionada ao modo de vida de cada indivíduo. O fato de as mulheres acumularem funções e estarem sobrecarregadas interfere negativamente neste cenário", afirma o cardiologista Rodrigo Noronha. 

Além de cuidar da família e das afazeres domésticos, mesmo que os coordenando à distância, a mulher concentra cada dia mais tarefas. “Com essa agenda atribulada, o estresse é inevitável e vem acompanhado do aumento do consumo de comidas industrializadas, devido à própria correria do dia a dia, o que pode levar à obesidade. A falta de atividade física regular também piora a situação”, informa.

O especialista relata que quando as mulheres descobrem o diabetes, em geral, já estão com os demais fatores de risco da patologia em estágios avançados. “Além dos quilos extras e da vida sedentária, elas, em geral, já apresentam níveis alterados do colesterol e de triglicérides, quadro de hipertensão arterial e acumulam a temida gordura visceral”, destaca.

O próprio envelhecimento, por outro lado, também pode explicar esse crescimento do diabetes entre as mulheres, afinal a expectativa de vida aumentou nos últimos anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aumento da expectativa média de vida para o brasileiro foi de 74,9 anos para 75,2 anos, entre 2013 e 2014. E o que nem todo mundo sabe é que as alterações hormonais comuns na menopausa não só multiplicam os riscos para o diabetes tipo 2, como consequentemente tornam as mulheres mais suscetíveis ao desenvolvimento das doenças do coração. 

“O estrógeno, hormônio feminino que sofre uma queda progressiva durante o climatério, tem efeito protetor tanto para o diabetes como para as doenças cardiovasculares. Além de função vasodilatadora, o estrógeno evita o acúmulo do LDL (colesterol ruim) e aumenta o HDL (colesterol bom)”, esclarece o Dr. Noronha.

Portanto, além de incluir atividade física regular no cotidiano, e optar por uma dieta equilibrada, rica em vegetais, grãos, pouca gordura e carboidratos, as mulheres devem se informar mais sobre a patologia, procurando um médico para que possam entender a relação entre o diabetes e o coração. 

Sintomas

O diabetes é uma epidemia que acomete 422 milhões de pessoas no mundo, sendo 14 milhões de brasileiros. Cerca de 90% dos casos do mundo são do tipo 2, adquirido com o tempo em decorrência de uma série de maus hábitos de vida, como a obesidade, o sedentarismo, níveis alterados de colesterol e triglicérides, além da hipertensão arterial.

Segundo a endocrinologista Rosângela Roginski Réa, Professora Adjunta do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal do Paraná, “o diabetes tipo 2 ocorre quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina, o hormônio responsável pelo controle das taxas de glicose (açúcar) no sangue, acompanhado de uma queda na produção deste hormônio. A resistência à insulina, que dificulta a utilização do hormônio, ocorre em razão da obesidade e do envelhecimento”.

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