Doença ginecológica

Autoestima é o aspecto mais afetado pela endometriose nas brasileiras, segundo pesquisa

Saúde física e mental aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente

16:00 · 08.05.2018
autoestima
Embora a endometriose afete muitos aspectos da vida da mulher, o tratamento correto pode levar à melhora da qualidade de vida ( Foto: Divulgação )

O Dia Nacional de Luta contra a Endometriose é celebrado nesta terça-feira (8). A doença afeta cerca de 15% das mulheres em idade fértil e, apesar de ser uma patologia ginecológica, causa danos à saúde de maneira global.

Segundo pesquisa realizada pelo cirurgião ginecológico, Dr. Edvaldo Cavalcante, em parceria com o Gapendi (Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade), com 3 mil mulheres brasileiras portadoras de endometriose, a autoestima é o aspecto mais afetado pela doença nas mulheres brasileiras.  

No top 5 do ranking, aparecem autoestima, saúde física, saúde mental, vida sexual e vida financeira como as principais áreas da vida afetadas pela endometriose.

Autoestima

Segundo a coordenadora do Gapendi, Marília Gabriela, uma das explicações para as mulheres elegerem a autoestima como a área mais afetada é que o tratamento clínico é feito com hormônios que podem levar ao ganho de peso. “A endometriose também pode provocar inchaço abdominal, deixando a barriga mais saliente. Mesmo que a mulher tenha hábitos saudáveis, pode ser mais difícil perder e manter o peso devido a estes fatores”.  

A autoestima também é afetada de acordo com as cicatrizes deixadas pelas cirurgias. A pesquisa mostrou que 55% das entrevistas já realizaram pelo menos uma cirurgia e 26% duas cirurgias para tratar a doença.

Não menos importante é o fato de que 55% das mulheres com endometriose apresentam infertilidade. “E nada mais impactante para uma mulher do que a impossibilidade de gerar uma vida quando este é o seu desejo”, diz Marília.

Saúde física e mental

A dor afeta 90% das mulheres entrevistadas, sendo o sintoma mais comum relatado pelas pacientes. Além da dor pélvica, muitas pacientes apresentam comorbidades, como síndrome do intestino irritável, fadiga, infecção de urina, abortos de repetição, dores nas costas e dores nas pernas. 

Quanto à saúde mental, cerca de 50% das mulheres entrevistadas foram diagnosticadas com ansiedade e 30% com depressão. O estresse também afeta mais da metade das mulheres com endometriose. 

Já a dor durante o ato sexual, chamada de dispareunia, é um dos principais fatores que prejudicam a vida sexual de mulheres com endometriose e está presente em mais da metade dos casos. 

Aspecto financeiro

A pesquisa revelou que 50% das brasileiras com endometriose se ausenta do trabalho de uma a três vezes por mês, cerca de 23% das entrevistadas já ficaram afastadas por mais de 15 dias e 14% revelaram já terem sido demitidas por causa da doença. Outras não conseguem trabalhar. Todos estes fatores afetam a renda da mulher, assim como seu crescimento profissional.

Qualidade de vida

Embora a endometriose afete todos os aspectos da vida da mulher, o tratamento correto pode levar à melhora da qualidade de vida. O tratamento, seja clínico ou cirúrgico, visa à melhora da dor, de acordo com o grau da endometriose.

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