Alergia

Asma afeta 20 milhões de pessoas no Brasil

O Dia Nacional de Combate à Asma, comemorado hoje, tem o objetivo de chamar a atenção dos pacientes para os cuidados que precisam ser tomados e as novidades nos tratamentos

15:00 · 21.06.2018 por Victor Ximenes - Editor Web
Asma
Causando a inflamação das vias aéreas, a asma ocasiona sintomas como falta de ar, dificuldade para respirar, tosse, sensação de aperto no peito e chiado no peito ( Foto: Divulgação )

A asma está entre as doenças crônicas mais comuns do Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PMS), elaborada pelo IBGE e Ministério da Saúde, 6,4 milhões de adultos sofrem com a enfermidade alérgica no País. Estima-se que, no total, incluindo crianças e adolescentes, ela acometa 20 milhões de pessoas, das quais 20% em sua forma grave.

Em virtude da enorme prevalência e dos efeitos danosos que essa doença inflamatória impõe aos pacientes, o Brasil criou uma data simbólica para alertar a população sobre a importância de combatê-la. O Dia Nacional de Combate à Asma, comemorado hoje (21), tem o objetivo de chamar a atenção dos pacientes para os cuidados que precisam ser tomados e as novidades nos tratamentos.

Conforme a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a maior compreensão por parte dos indivíduos que sentem os sintomas típicos de asma vem colaborando com a redução das internações e mortes decorrentes da patologia. O banco de dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS) informa que, em uma década, o número de internações caiu 49%. Ainda assim, a doença é responsável por gerar em torno de 2,5% do total de casos de pacientes hospitalizados no País.

Causando a inflamação das vias aéreas, a asma ocasiona sintomas como falta de ar, dificuldade para respirar, tosse, sensação de aperto no peito e chiado no peito.

Avanços no tratamento

Apesar de a asma ainda ser um robusto obstáculo para a comunidade médica, algumas descobertas científicas têm sido registradas, abrindo novas opções de tratamento. No Congresso da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica (EAACI Congress), realizado em Munique, em maio, tais avanços foram ressaltados pelos especialistas. 

No caso da asma alérgica (ou do tipo 2), que afeta de 50% a 70% dos pacientes, existe uma ligação com a produção desequilibrada de citocinas, moléculas produzidos por células do sistema imune. A formação excessiva de determinadas citocinas acaba por desencadear episódios asmáticos. Em muitos casos, o paciente sofre paralelamente com outros problemas alérgicos, como a rinite e a rinossinusite. A asma, acompanhada ou não dessas comorbidades, representa impactos nocivos à qualidade de vida das pessoas.

De acordo com Ian Pavord, professor de medicina respiratória da Universidade de Oxford, na Inglaterra, no entendimento do comportamento das citocinas residem as principais esperanças de avanço. Ele afirma que é crucial buscar soluções para os diferentes tipos de asma. Nos últimos anos, a chegada ao mercado de fármacos imunológicos ajudou na batalha contra a asma. 

Mario Castro, professor de medicina pulmonar da Universidade de St. Louis, nos Estados Unidos, afirma que o momento é especial, pois existirem diferentes métodos de abordagem contra a doença. “Hoje é possível saber o tipo de citocina que causa a asma em cada paciente e, assim, aplicar o tratamento mais efetivo”, celebra o médico e pesquisador.

Comercializado no Brasil desde fevereiro, o mepolizumabe está entre as novas drogas que podem fazer a diferença no tratamento. Indicado para adultos, ele bloqueia a citocina IL-5.

O benralizumabe, também focada em controlar a IL-5 está em situação menos avançada. Aguarda a apreciação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), para ter a venda liberada no País. Já o dupilumabe, que age contra as citocinas IL-4 e IL-13, ainda precisa ser aprovado nos Estados Unidos. 

O preço das medicações biológicas costuma ser bastante elevado. O mepolizumabe, no Brasil, custa em torno de R$ 7 mil. Os valores das outras duas substâncias ainda não são conhecidos. 

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