Ronco

Apneia do sono pode causar hipertensão

As pausas na entrada de ar no organismo diminuem a concentração de oxigênio no sangue

08:30 · 15.03.2018
apneia do sono
A apneia é o distúrbio de sono mais comum entre os brasileiros, atingindo 33% da população de acordo com o Ministério da Saúde ( Foto: Divulgação )

Potencialmente grave, a apneia é o distúrbio de sono mais comum entre os brasileiros, atingindo 33% da população de acordo com o Ministério da Saúde. A condição é caracterizada por roncos e engasgos, provenientes de uma respiração com pelo menos cinco interrupções por hora. As pausas na entrada de ar no organismo diminuem a concentração de oxigênio no sangue, acarretando outras doenças como hipertensão, diabetes e até infarto. Pensando nisso, a Cooperativa de Otorrinolaringologistas do Ceará (Coorlece), orienta algumas dicas sobre o assunto.

"A sociedade está cada vez mais agitada, com responsabilidades e obrigações tomando o tempo de todos. Nesse cenário, é comum que o sono seja negligenciado. No entanto, a qualidade dessa simples tarefa é essencial para a saúde e o bem estar do indivíduo", diz o otorrinolaringologista João Paulo Bastos, presidente da Coorlece. Ele explica que o sono é o momento de completo descanso corporal, quando o organismo suspende os sentidos, a percepção e a atividade motora voluntária do indivíduo. Nem todos que roncam apresentam apneia, mas nestes casos ocorre um estreitamento que produz o som, mas sem o fechamento da via aérea.   

O ronco simplesmente, sem apneia, normalmente causa problemas no âmbito social, já que o roncador costuma ser motivo de constrangimentos e de atrapalhar o sono dos que compartilham o ambiente. "Além disso, essa respiração bucal noturna pode causar outros problemas de saúde, como a ocorrência de faringites em maior frequência que o normal", alerta o médico.

Causas

Conforme o Dr. João Paulo, o ronco e, consequentemente a apneia do sono, podem ser causados por falhas no sistema otorrinolaringológico. Um exemplo disso é a obstrução nasal, o que costuma resultar em uma necessidade maior de força inspiratória, produzindo maiores chances de colapso de algumas partes da via respiratória. O relaxamento em excesso dos músculos da garganta também provocam o estreitamento das vias aéreas. "Esse relaxamento pode ser potencializadoor ocorre após ingestão de bebidas alcóolicas e uso de medicamentos para dormir", reforça. 

Ele cita, ainda, outros fatores, como como excesso de tecidos flácidos na garganta causados, principalmente, por conta do ganho de peso, e a conformação da região do pescoço, ou seja, a circunferência cervical aumentada, além de aumento das amígdalas e da adenoide, também causam obstrução à passagem de ar

O distúrbio é considerado grave quando as interrupções são associadas a queixas, ou quando superam 15 vezes por hora. A quantidade diminuta de oxigênio no sangue sobrecarrega o sistema nervoso, elevando o índice de batimentos cardíacos. Sem tratamento, esse comportamento permanece ao longo do dia, favorecendo o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, problemas de memória, derrames e sonolência excessiva. Além disso, a apneia promove o acúmulo de gordura e a resistência à insulina, contribuindo para o surgimento de diabetes.

Tratamento

Alguns indivíduos apresentam maiores chances de desenvolver a doença ao se encaixarem nos fatores de risco. Excesso de peso, existência de tumores de cabeça e de pescoço, maxilar e mandíbula curtos e amígdalas grandes podem promover a apneia. Além disso, a restrição de atividades como tabagismo, alcoolismo, uso equivocado de sedativos e dormir de barriga para cima estão intimamente ligados ao tratamento da doença. Um estilo de vida equilibrado, com atividades físicas e alimentação saudável é o primeiro passo tanto para cuidar como prevenir o distúrbio.

A percepção de sintomas como ronco, engasgos noturnos, sono agitado, respiração ofegante, enxaqueca matinal e fadiga excessiva ao longo do dia antecipa o diagnóstico e favorece a eficiência tratamento. O acompanhamento médico é fundamental.

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