Medo de rejeição

Adolescentes com HIV não sabem negociar o uso do preservativo, aponta estudo

Medo de levantar suspeita sobre a infecção sexualmente transmissível (IST) e rejeição são os principais motivos relatados

12:37 · 21.03.2018
camisinha
Pesquisa mostrou que a maioria dos adolescentes infectados com HIV mantém relações sexuais desprotegidas ( Foto: Divulgação )

Um estudo mostrou que a maioria dos adolescentes infectados com HIV e carga viral detectável (que aumenta o risco de transmissão) mantém relações sexuais desprotegidas (65% para o sexo oral, 63% sexo vaginal e 68,4% sexo anal). A pesquisa foi realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Pediatria da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

O enfermeiro e autor da pesquisa, Alexandre Lelis Braga, colaborador do Centro de Atendimento da Disciplina de Infectologia Pediátrica (CEADIPe/ Unifesp), avaliou a sexualidade e o planejamento reprodutivo de 93 adolescentes infectados pelo vírus da Aids por transmissão vertical (de mãe para filho no útero ou no parto). Além da constatação do pouco uso da camisinha por parte desses jovens, o estudo também alerta para um conhecimento limitado de medidas profiláticas para não infectar o parceiro e o concepto.

Uma vez feita a manutenção da carga viral suprimida, menores são as chances de ocorrer transmissão vertical e horizontal do HIV (de mãe para filho e via sexual, respectivamente). Para o autor do estudo, não há uma oposição ao uso da camisinha entre os jovens pesquisados, mas sim pouco poder de negociação com os parceiros. “O adolescente que vive com HIV/Aids não tem, muitas vezes, habilidade suficiente para negociar o seu uso com o parceiro sexual. Insistir, para eles, pode acabar levantando suspeitas sobre a sua infecção”, explica Braga. “Essa falta de habilidade levam os jovens a evitar o relacionamento amoroso ou adiar a vida sexual”.

Medo de rejeição

Dos adolescentes da pesquisa, 76,7% deles nunca revelaram seu diagnóstico pelo medo de uma rejeição. Segundo Braga, as meninas tendem a manter relacionamentos mais estáveis, revelando seu diagnóstico ao parceiro, o que não ocorre com os meninos entrevistados. “Vimos que eles tendem a iniciar mais precocemente a vida sexual, terem mais parceiras e adiarem mais a revelação do seu diagnóstico a terceiros”.

A pesquisa contou com participantes de idade entre 13 a 19 anos completos. A população estudada foi, em sua maioria, feminina (59%), de indivíduos de cor parda (49,5) e pertencentes às classes C e D (73%). A idade média da primeira relação sexual foi de 14,5 anos, sendo a idade média para os meninos 13,8 e para as meninas de 15,1 anos.

Outro dado alarmante mostra uma banalização da doença por parte dos jovens. “Devido ao tratamento, hoje, ser eficaz, muitos acreditam que ter HIV/Aids se resume apenas a tomar um comprimido por dia, sem saber das consequências que o vírus e o próprio medicamento trazem ao organismo”.

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