Menos efeitos colaterais

Adesivo para tratamento de Alzheimer chega a pacientes do SUS

Governo assina primeiro pedido da rivastigmina, adesivo transdérmico para o tratamento da doença que atinge cerca de 47 milhões de pacientes

12:00 · 15.06.2018 / atualizado às 14:05
Alzheimer
No mundo, estima-se que 47 milhões de pessoas sofram de demência e, a cada ano, cerca de 10 milhões de novos casos são registrados ( Foto: Divulgação )

O Ministério da Saúde assinou o primeiro contrato para a compra de rivastigmina, adesivo transdérmico para o tratamento do Alzheimer. A enfermidade é uma das dez doenças que mais causam mortes no Brasil e é a maior responsável por casos de demência.

O tratamento para Alzheimer em formato de adesivo será feita nas apresentações de 5cm e 10cm a pacientes do sistema público. Com mecanismo de ação transdérmica, libera a medicação no organismo ao longo do dia e, por não ter absorção no estômago, gera menos efeitos colaterais para o sistema digestivo.

Este adesivo proporciona maior praticidade ao cuidador, por conta da facilidade de manuseio e da garantia de que o paciente realmente recebeu a dose diária correta. Isso porque, por se tratar de uma doença que incide principalmente em idosos, os comprimidos, muitas vezes, são perdidos antes de serem levados à boca ou não são engolidos pelo paciente. 

Impacto da doença 

No mundo, estima-se que 47 milhões de pessoas sofram de demência e, a cada ano, cerca de 10 milhões de novos casos são registrados. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença é responsável por 60% a 70% dos casos de demência, representando perda de qualidade de vida para os pacientes e familiares.

No Brasil, a demência impacta a vida de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas. E a tendência é de que o cenário seja ainda mais desafiador. Isso porque, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa no país deve triplicar até 2050, acarretando o aumento de casos de Alzheimer.

Causas e sintomas 

Segundo a OMS, apesar de ser uma doença que incide principalmente sobre pessoas idosas, o aparecimento de sintomas antes dos 65 anos de idade representa cerca de 9% dos casos. Ela está associada ao aparecimento anormal de placas senis no cérebro, decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide.  Além disso, está relacionada a emaranhados neurofibrilares, frutos da hiperfosforilação da proteína tau.

No início, os sinais podem ser sutis, mas são agravados com o tempo. Entre os principais sintomas estão a dificuldade de memória (especialmente de acontecimentos recentes), discurso vago durante as conversações, demora em atividades rotineiras, esquecimento de pessoas e lugares conhecidos, deterioração de competências sociais e imprevisibilidade emocional.

Tratamento precoce

A Doença de Alzheimer não possui cura. No entanto, se diagnosticada no início, o tratamento adequado ajuda a impedir o avanço da doença e amenizar seus sintomas, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente. Além disso, atividades cognitivas, sociais e físicas beneficiam a manutenção de habilidades mentais e favorecem sua funcionalidade. 

No Brasil, algumas associações ajudam no suporte a pacientes, familiares e cuidadores, como a Associação Brasileira de AlzheimerABRAz (), a Associação Maior Apoio ao Doente de Alzheimer (AMADA), o Instituto Alzheimer Brasil e a Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (Apaz).

De acordo com a Constituição Federal, o sistema público de saúde deve fornecer o acesso gratuito ao tratamento completo para a doença, envolvendo a medicação indicada. Para isso, o paciente deverá procurar seu médico para orientá-lo no processo de obtenção do medicamento.

De acordo com o Protocolo Clínico de Diretriz de Tratamento (PCDT) do Ministério da Saúde, geriatras, neurologistas, psiquiatras ou qualquer médico especialista no tratamento de demências podem prescrever medicações para o tratamento de Alzheimer.

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