Inchaço

Acúmulo de líquido embaixo da pele é reação comum em cirurgias plásticas

Saiba como prevenir o seroma, condição que ocorre durante o pós-operatório de um procedimento e deixa a área da cicatriz mais alta que o normal

09:40 · 11.09.2018 / atualizado às 11:05
seroma
O seroma é uma reação inflamatória causada pelo próprio sistema imunológico do paciente. O líquido fica represado entre as camadas de pele, levando aos sintomas ( Foto: Divulgação )

O corpo humano é realmente uma obra-prima da natureza. Nosso organismo está preparado para se defender de várias agressões ou ataques, de diferentes maneiras. Uma dessas reações de defesa do corpo é o seroma, condição que pode aparecer depois de qualquer cirurgia, especialmente daquelas em que há manipulação da pele e do tecido adiposo. Entre os procedimentos estéticos que podem causar seromas estão a lipoaspiração, a abdominoplastia e a mamoplastia.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Luiz Molina, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o seroma ocorre quando há acúmulo de líquido embaixo da pele, geralmente perto da cicatriz da cirurgia.

“É uma reação inflamatória causada pelo próprio sistema imunológico do paciente. O líquido fica represado entre as camadas de pele, levando aos sintomas. Grandes descolamentos do retalho dermogorduroso, ou seja, de pele e de gordura, e manipulação dos canais linfáticos, são mecanismos ligados ao desenvolvimento de um seroma”.

Mas vale lembrar que qualquer cirurgia com essas características pode causar um seroma, não é algo exclusivo da cirurgia plástica.

Primeiros sintomas

Segundo Dr. Molina, os primeiros sinais de um seroma podem ser o inchaço ou abaulamento da região que pode evoluir para extravasamento de um líquido transparente ou mais claro pela cicatriz. Em alguns casos podem ocorrer inchaço, dor, vermelhidão e aumento da temperatura no local, sintomas típicos de uma inflamação e de uma infecção. Neste caso, um sinal de alerta bem importante”. 

Normalmente, o seroma aparece nas primeiras duas semanas após o procedimento cirúrgico. Portanto, é neste período que o paciente precisa estar mais atento às manifestações.

Tratamento 

Se detectada a condição, o ideal é procurar o médico que fez a cirurgia para uma avaliação. “A doença deve ser tratado para não evoluir para o que chamamos de seroma encapsulado. Normalmente, fazemos uma punção e se ainda voltar a formar algumas vezes, colocamos um dreno para ajudar na saída do líquido acumulado”, explica Dr. Molina.

Embora seja raro, quanto não tratado, o seroma pode evoluir. “É quando o seroma é envolvido por um tecido fibroso e forma uma espécie de cápsula, chamado de pseudobursa. Isso pode levar a uma contração e a saliências que podem causar alterações importantes na cicatriz, evoluindo, em alguns pacientes, para deformidades que podem necessitar de correção cirúrgica”, comenta o cirurgião plástico.

O seroma encapsulado envolve um tratamento mais rigoroso e, muitas vezes, precisa ser removido cirurgicamente ou ainda por meio de do uso de um ultrassom de alta potência que irá estimular a eliminação do líquido. Esse procedimento se chama ultracavitação.

Prevenção 

De acordo com Dr. Molina, a precisão da cirurgia pode ajudar a evitar o seroma. Embora seja algo que possa acontecer, algumas medidas podem ser adotadas ainda na cirurgia para prevenir o seroma. O ideal é evitar espaços mortos na sutura do tecido subcutâneo. O uso de drenos após o procedimento também ajuda a eliminar o líquido para prevenir seu acúmulo”, explica.

Além disso, é essencial que o paciente siga todas as orientações do pós-cirúrgico, de forma rigorosa. As cintas compressivas, por exemplo, são extremamente importantes para prevenir o seroma, pois elas promovem a aderência dos tecidos e uma melhor cicatrização, deixando esses espaços embaixo da pele menores e mais comprimidos. As recomendações de repouso, assim como fazer a correta higiene e curativos na cicatriz, também são muito importantes.

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