Pesquisa

Abandono e dependência são os principais fatores relacionados ao envelhecimento pelos brasileiros

Mais de 29% dos entrevistados indicaram o medo de ficarem sozinhos como a primeira preocupação

09:30 · 15.06.2018 / atualizado às 09:52
Idosos
Em 2017, a Secretaria de Direitos Humanos registrou 33.133 mil denúncias de agressões e maus-tratos contra idosos ( Foto: Fabiane de Paula )

O abandono e a dependência dos familiares são os primeiros fatores lembrados pelos brasileiros quando questionados sobre seu envelhecimento. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – São Paulo (SBGG-SP), em parceria com a Bayer. De acordo com o levantamento, mais de 29% das pessoas indicaram ter medo de ficarem sozinhas, enquanto que o restante apontou a dependência financeira, perda dos sentidos, doenças graves, dependência do Sistema Único de Saúde (SUS) e problemas mentais.

De acordo com a Presidente da SBGG-SP, a geriatra Maisa Kairalla, tanto o receio quanto a associação dessas condições com a terceira idade podem estar relacionados ao atual cenário em que os mais velhos se encontram. Em 2017, a Secretaria de Direitos Humanos registrou 33.133 mil denúncias de agressões e maus-tratos contra idosos. Entre as reclamações frequentes estão negligência, abuso financeiro, violência física e psicológica.

“Nossos receios quanto à velhice ocorrem porque tememos o que costumamos ver hoje ou no passado, acontecendo com nossos pais e avós, mas esse ciclo não precisa se repetir. Se eu tenho medo de ficar doente e precisar me mudar para um asilo é prudente que eu tome medidas para evitar que essa seja minha realidade”, explica a especialista.

Alimentação

O envelhecimento traz consigo novas necessidades de vitaminas e nutrientes, como a suplementação do cálcio para a prevenção da osteoporose, por exemplo. Por isso, vale a consulta com um especialista para avaliar quais alimentos podem ser usados a favor do corpo nessa nova fase.

Atividade física

Muitas vezes, por ser associada ao emagrecimento e ganho muscular, as pessoas abandonam a prática de exercícios físicos conforme envelhecem, mas o indicado seria fazer exatamente o oposto. “Praticar exercícios é um dos principais componentes para envelhecer com saúde, isso porque protege contra o ganho de peso e, consequentemente contra as doenças crônicas, além de promover inúmeros benefícios ao esqueleto e musculatura do organismo”, afirma Maisa Kairalla.

Monitoramento da saúde

Não é à toa que os mais velhos frequentam os consultórios médicos de forma mais regular, e essa prática não está errada. Ficar de olho na saúde, com visitas periódicas ao geriatra e realização de exames de rotina é o mais indicado para identificar a deterioração do corpo e prover os cuidados que ele exige.

No entanto, homens e mulheres se esquecem que mesmo após a andropausa e a menopausa é importante visitar também o urologista e ginecologista. “Existem problemas de saúde que mesmo após o período fértil do homem e da mulher podem aparecer, como é o caso do prolapso da bexiga e a hiperplasia benigna da próstata, e são justamente esses especialistas que farão a detecção precoce dessas condições”, reforça.

Saúde mental

Além da atividade física, é importante manter outras atividades ativas. A prática da leitura, jogos de memória e quizes são particularmente efetivos na manutenção da saúde mental. “Principalmente para pacientes que têm histórico familiar de problemas como o alzheimer e doenças degenerativas, essas atividades podem auxiliar no retardo da manifestação”, explica.

Convívio social

Aproximar-se de pessoas que tenham interesses em comum e reforçar os laços com aquelas que já são próximos. “O melhor remédio contra a depressão e o abandono, que são os principais motivos de medo da velhice, é justamente se cercar de pessoas, encontrar amigos e sair mais, viver mais. Não há razão para achar que a velhice deve ser dentro de casa”, completa a geriatra.

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