Abril Marrom

80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados ou tratados

Conselho Brasileiro de Oftalmologia lista cuidados necessários com a saúde ocular em cada fase da vida

09:48 · 05.04.2018 / atualizado às 09:49
Cegueira
Queixas como sensação de vista cansada, coceira nos olhos, dificuldade para focalizar imagens e lacrimejamento são as mais comuns em adultos ( Foto: Divulgação )

No Brasil já existem mais de 1,2 milhões de pessoas cegas, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que até 80% dos casos de cegueira pelo mundo poderiam ser evitados ou tratados. Em vista da conscientização sobre as possíveis causas da condição, como diabetes e infecções foi criada a campanha Abril Marrom. O projeto conta com apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). 

Hoje, a cegueira afeta 36 milhões de pessoas em todo o mundo, e em 2050 a estimativa é que esse número chegue a 115 milhões, segundo estudo publicado na revista Lancet. Na pesquisa, os números mostram ainda que a quantidade de pessoas com visão comprometida, entre os níveis moderado e grave, chegará a 588 milhões ao longo dos próximos 30 anos – atualmente 217 milhões de pessoas sofrem com esses níveis de problema na vista. 

“É fundamental disseminarmos o conceito de promoção de saúde de forma preventiva, ao contrário do que acontece hoje, onde o paciente procura o médico no momento que precisa tratar uma doença. Esse hábito configura um conceito de medicina curativa, e sabemos que a prevenção acarreta um menor custo ao sistema de saúde e, principalmente, ao paciente”, destaca Cristiano Caixeta, diretor do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

De acordo com o oftalmologista Suel Abujamra, 80% das pessoas desconhecem que têm glaucoma, por exemplo. “Essa é uma das enfermidades que podem levar à cegueira, e cerca de 220 mil brasileiros já perderam a visão de um olho porque não se preveniram”, alerta Suel. Segundo o CBO, cada fase da vida merece uma atenção especial.

Antes e depois do nascimento

Rubéola e toxoplasmose podem causar cegueira e problemas neurológicos na criança, por isso o acompanhamento pré-natal e a realização de sorologias são importantes.

Ao nascer, a criança enxerga pouco e a visão vai se desenvolvendo no decorrer dos anos. Qualquer doença ocular ao nascimento, como a catarata e o glaucoma, pode prejudicar totalmente este desenvolvimento. O teste do reflexo vermelho, também chamado de “teste do olhinho”, deve ser realizado ainda na maternidade. 

O teste do reflexo ainda é capaz de detectar o retinoblastoma (um tipo de câncer ocular) precocemente. Além disso, o bebê que lacrimejar muito, tiver mancha branca na menina dos olhos (pupila), olhos anormalmente grandes, ou ainda que não suporte a claridade, deve ser levado ao oftalmologista. 

Durante a infância 

A visão se desenvolve durante a infância, alcançando a maturidade por volta dos cinco anos de idade. Por isso, é importante que problemas de visão sejam tratados o quanto antes. Com o início da vida escolar, é possível perceber a presença de problemas refrativos (miopia, astigmatismo e hipermetropia) que podem prejudicar o aprendizado. Outro problema que precisa ser corrigido ainda na infância é a ambliopia, ou “olho preguiçoso”. É uma situação na qual a visão não se desenvolve plenamente em um dos olhos, embora sua aparência seja normal.

Com o passar do tempo, o cérebro ignora as imagens que vem desse olho “fraco”, de tal forma que ele perde a visão. O portador de ambliopia tem dificuldade para perceber distâncias e profundidade, além de correr riscos de cegueira total, caso venha algum dia a perder a visão de seu olho saudável. 

A ambliopia pode ser curada se o tratamento for realizado antes que a visão tenha atingido a maturidade. Por isso, mesmo que não apresente aparentemente nenhum problema de visão, a criança deve ser examinada por um oftalmologista em seus primeiros anos de vida.

Adolescência

Entre os 13 e 20 anos, as pessoas estão sujeitas ao aparecimento do ceratocone, uma doença que provoca irregularidade da córnea, às vezes acompanhado pelo hábito de coçar excessivamente os olhos. Muitas vezes o ceratocone não é percebido pelos adolescentes, pois os sintomas (aumento da sensibilidade à luz e baixa da qualidade de visão, mesmo com o uso de óculos ou lentes de contato) são pouco percebidos por eles.

Vida adulta

Queixas como sensação de vista cansada, coceira nos olhos, dificuldade para focalizar imagens e lacrimejamento são as mais comuns em adultos. Além da presbiopia (ou vista cansada), caracterizada pela dificuldade de focalizar objetos próximos, outros problemas mais frequentes a partir dos 40 anos são: catarata, glaucoma e retinopatia diabética. Os sintomas do glaucoma costumam aparecer somente quando a doença está em fase avançada. Se a doença não for tratada, pode levar à cegueira. 

Aproximadamente 85% das cataratas são classificadas como senis, conectadas ao processo de envelhecimento, com maior incidência na população acima de 50 anos. As pessoas que têm diabetes apresentam um risco de perder a visão 25 vezes maior do que as demais. Para que isso não a conteça, os diabéticos devem passar rotineiramente por consulta.

Após os 65 anos 

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) causa baixa visão central, dificultando principalmente a leitura. Os danos à visão central são irreversíveis, mas a detecção precoce e os cuidados podem ajudar a controlar alguns dos efeitos da doença.

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