Dia Mundial da Trombose

40% dos brasileiros não conhecem os sintomas da trombose

Pesquisa indica que apenas 4% da população considera os coágulos sanguíneos como a maior ameaça à vida

10:16 · 13.10.2017
trombose venosa
Longos períodos sem se locomover podem levar a problemas na coagulação sanguínea ( Foto: Divulgação )

A trombose é responsável pela morte de uma em cada quatro pessoas no mundo, é o que indicam dados da International Society on Thrombosis and Haemostasis (ISTH). A conscientização sobre os riscos de desenvolver a doença se mostra necessária ao constatar que mais de 40% da população brasileira não conhece os sintomas, como indica o Ministério da Saúde. Para ampliar o conhecimento sobre esse grave problema de saúde, a ISTH promove uma campanha global de alerta no Dia Mundial da Trombose (13/10) para chamar atenção sobre essa condição que é mortal, mas pode ser evitável. A campanha conta com mais de 1.000 organizações que representam 85 países.

Doença vascular que se caracteriza pela formação de coágulos (trombos) em uma ou mais veias principalmente nos membros inferiores, a trombose, impede que a circulação flua de maneira correta, o que pode causar sensação de queimação, dor e inchaço na região afetada. De acordo com uma pesquisa realizada pela Bayer em 2014, em 20 países nos cinco continentes, apenas 4% dos brasileiros consideram os coágulos sanguíneos como a maior ameaça à vida, sendo que 51% afirmaram desconhecer sobre o risco fatal de uma trombose não tratada.

O alto risco de desenvolver um trombo serve de alerta para a população, especialmente para quem fica longos períodos sem se locomover, fator que pode levar a problemas na coagulação sanguínea. Para quem trabalha sentado por muito tempo, movimentar-se mais é essencial. Atividades simples como levantar para pegar uma água, esticar as pernas, ir até a mesa do colega de trabalho, substituir o elevador pelas escadas e andar por alguns minutos no horário do almoço são pequenos hábitos que ajudam na prevenção contra a trombose. A adesão a essas atividades pode ajudar a prevenir a doença que causa uma morte a cada 37 segundos no Ocidente, segundo aponta a ISTH. 

“O paciente deve ter atenção ao ficar longos períodos sem se movimentar e também precisa saber que fatores de risco como histórico familiar, insuficiência cardíaca e obesidade podem representar um alerta para o surgimento da doença.  Ter inchaço nas pernas acompanhado de dor pode ser um sinal de trombose. Ela pode vir com a sensação de queimação e mudanças na cor da pele",  orienta o Dr. João Carlos, hematologista e vice-presidente do Grupo Cooperativo Latino Americano de Hemostasia e Trombose (CLAHT).

O especialista complementa ainda que pessoas que já tiveram algum caso na família de pessoas com trombose, devem fazer um acompanhamento médico. "Embora os sintomas possam indicar o perigo, a maioria dos pacientes não detecta o problema em sua fase inicial, por isso, a recomendação é sempre procurar um médico ao perceber anormalidades".

Um outro fator de risco que é pouco falado é a gravidez. Durante o período de gestação, o risco de desenvolver coágulos está aumentado, com risco importante no pós-parto. Por isso, mulheres em fase gestacional devem ter atenção redobrada.

O especialista destaca que outro agravante é a hospitalização, pois 60% dos casos de trombose ocorrem durante ou após o período de internação hospitalar. Isso acontece devido à mobilidade reduzida dos pacientes ou trauma nos vasos sanguíneos gerados por uma cirurgia ou lesão grave. “Apesar de delicado o quadro dos indivíduos em fase hospitalar, é possível prevenir o surgimento de novos coágulos nos vasos sanguíneos e deter o crescimento dos já existentes fazendo a indicação de anticoagulantes. Isso se aplica também para aqueles pacientes que possuem outros fatores de risco”, afirma o Dr. João Carlos.

De maneira geral, para diminuir os riscos da trombose recomendamos algumas dicas que podem ser seguidas por todos: evitar permanecer muito tempo sentado sem se movimentar, manter uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente, manter o peso adequado e fazer uso de meias de compressão caso tenha algum histórico familiar associado a varizes ou à trombose.

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