equilíbrio

Movimento lento, sequencial e cadenciado

Relaxamento é uma consequência natural para quem adota a prática Tai Chi Chuan na vida cotidiana

00:00 · 08.09.2018
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Arte marcial em câmera lenta é a sensação proporcionada pelas posturas do Tai Chi, segundo o instrutor Flávio Pessoa e Christiane Matos ( Foto: Reinaldo Jorge )

Mestre em Reiki, ela estuda aromaterapia e pratica meditação. Ingressar no mundo do Tai Chi Chuan foi um movimento natural para Christiane Santos Matos, 38 anos, graduada em Biomedicina, doutora em Ciências da Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pós-doutora na área de doenças infecciosas.

> Tempo sem pressa
 
Ciente dos benefícios que essa prática integrativa tem para a saúde física e mental, a aluna do instrutor Flávio Pessoa revela que buscou o Tai Chi no momento em que se encontrava estressada com muitas demandas do trabalho. "Estou conseguindo ter mais consciência corporal. Chego aqui extremamente cansada e agitada e eu saio tranquila", afirma Christiane.

Força lenta

Embora não tenha uma tradição milenar, como a Medicina Tradicional Chinesa, o Tai Chi Chuan, em seus 370 anos de existência, é exercitado por quem busca qualidade de vida e saúde. Enfim, os princípios são os mesmos, ou seja, libera tensões e o fluxo de energia das articulações.

Praticante há 26 anos, o instrutor sênior Flávio Pessoa (Studio Pilates Point) lembra que, por muitos anos, a imagem em câmara lenta de 'velhinhos fazendo esses movimentos nas praças' ficou associada ao Tai Chi.

No entanto, para alcançar esse grau de 'lentidão' são exigidos habilidade e um trabalho árduo de longo prazo. "Muitas pessoas preferem optar por outro tipo de arte marcial, como Muay Thai, Jiu-Jítsu. No primeiro dia, já consegue dar um soco ou um chute, e ter a sensação de que já fez alguma coisa", diz Flávio.

O Tai Chi reúne posturas que buscam a meditação, contemplação, respiração (como no Yoga), juntamente a exercícios de defesa pessoal, "mas que não machucam", descreve Flávio Pessoa. (Colaborou Tainã Maciel)

Fique por dentro

Prática incorporada ao SUS

No último informe (maio/ 2017) sobre a ampliação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), foram registrados mais de 21 mil atendimentos individuais em práticas corporais e mentais, a exemplo do Tai Chi Chuan.

Já quanto ao registro de atividades coletivas, as práticas corporais tiveram 178.628 atendimentos realizados no total de 5262 Unidades Básicas de Saúde (UBS), distribuídos em 2218 municípios brasileiros, informa o Dr. Thiago Gomes, membro do Grupo de Trabalho de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics) da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) .

A PNPIC ainda não foi totalmente implantada nos serviços de saúde. O que acontece se deve a ações isoladas de profissionais que integram a rede e projetos de extensão das Instituições de Ensino Superior ( IES).

O certo é que a prática do Tai Chi no Brasil está fortemente ligada às escolas de artes marciais, a exemplo de Kung Fu e Karatê, e não nas instituições de ensino em saúde.

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