neurologia

Maior estabilidade motora

A fisioterapia neurológica e o Pilates são essenciais na reabilitação do paciente com Parkinson. Os exercícios - aplicados sempre por um fisioterapeuta - ajudam a melhorar os movimentos

00:00 · 02.06.2018
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O fisioterapeuta David Pereira Maciel constata que o Pilates ajudou a professora Sônia Silva a fortalecer os membros inferiores e a melhorar a instabilidade da da marcha ( Foto: Reinaldo Jorge )

Tremor, lentidão dos movimentos, rigidez muscular e o congelamento da marcha são limitações funcionais decorrentes da Doença de Parkinson, uma das enfermidades neurológicas com maior incidência na população idosa, superada apenas pelo Alzheimer.

Neurodegenerativa e ainda sem cura efetiva, a doença tem na instabilidade postural de seu portador um dos sintomas mais predominantes. Felizmente, pesquisas revelam que a prática de atividade física regular proporciona benefícios para a qualidade de vida, sendo o Pilates um método eficaz no caso dos indivíduos com Parkinson.

Um novo protocolo desenvolvido pelo fisioterapeuta David Pereira Maciel, como resultado do mestrado em Ciências Médicas da Universidade de Fortaleza (Unifor), realizado sob a orientação da neurologista Fernanda Martins Maia, observou uma melhora significativa nos quesitos força e equilíbrio desses pacientes mediante a aplicação das manobras do Pilates.

O alívio das dores, maior disposição e facilidade para realizar atividades cotidianas também são relatadas. "Nos exercícios desenvolvidos especificamente para esse grupo, foram trabalhados a instabilidade e o suporte dos membros superiores", explica o fisioterapeuta que tem formação em Osteopatia, RPG e Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva.

Força na caminhada

Diagnosticada com Parkinson precoce há pouco mais de cinco anos, a professora Sônia Maria Silva, 48 anos, relata que, no início, sentia fortes dores no quadril e chegou a ser submetida a procedimentos cirúrgicos antes de conseguir encontrar um alívio para superar as múltiplas adversidades diárias.

A doença comprometeu o lado direito de Sônia o que a obrigou a se afastar do trabalho. Em 2016, ela foi uma das primeiras voluntárias a participar da pesquisa de mestrado com o título 'Efeito do Método Pilates no Equilíbrio de Pacientes com Doença de Parkinson'. "O Pilates me ajudou a melhorar a sustentação das pernas. No início, costumava cair muito e sentia muitas cãibras, que agora não sinto mais", partilha a professora. Hoje, cursando uma pós-graduação na área de Pedagogia, Sônia aprendeu a lidar com as limitações diárias e a ter uma melhor qualidade de vida.

Avaliação do protocolo

Entre os aparelhos de Pilates utilizados na pesquisa conduzida pelo fisioterapeuta David Maciel (DM Pilates Fortaleza), estão o cadillac, reformer, ladder barrel e step chair ('cadeira'), que trabalham a maioria dos grupos musculares.

Caminhadas em esteiras, bicicletas ergométricas, exercícios de resistência e de coordenação também ajudam a aumentar a força muscular e o equilíbrio dos pacientes que convivem com doenças já instaladas, a exemplo do Parkinson. Contudo, pesquisas que abordaram esse tema não apresentaram resultados precisos.

Para aplicar o protocolo, o fisioterapeuta avaliou a performance de um grupo de 40 pacientes com Parkinson, que são acompanhados no Ambulatório de Distúrbios do Movimento do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), com o apoio da Unifor. O estudo consistiu na aplicação de testes para dimensionar os aspectos funcionais quanto aos déficits de equilíbrio e qualidade de vida. Metade dos pacientes realizou aulas de Pilates, enquanto que a outra fez caminhadas regulares.

Os resultados foram satisfatórios, uma vez que, até o momento, não há uma terapia de reabilitação padronizada, à exceção da fisioterapia neurológica convencional, que melhore, efetivamente, o problema de equilíbrio dos pacientes com Parkinson.

A pesquisa foi apresentada na sétima reunião do Departamento Científico de Transtornos do Movimento da Academia Brasileira de Neurologia ocorrida em agosto de 2017, em São Paulo. No mês de agosto, será mostrada também no II Congresso Panamericano de Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento, que acontece esse mês, em Miami (EUA).

Desenvolvido durante a I Guerra Mundial por Joseph Pilates, o método é conhecido originalmente como Contrologia e objetiva exercitar prinpalmente a região do tronco.

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Ambulatório de Distúrbios do Movimento

Anormais e excessivos, os distúrbios do movimento são aqueles que não podem ser controlados pela vontade do indivíduo (involuntários). Nesse grupo, estão os tremores, tiques, distonia (contração muscular sustentada), balismo (similar a chutes e arremessos), coreia (similar a uma dança ondulante) ou a combinação de vários desses sintomas. A doença de Parkinson responde pela maioria dos atendimentos feitos no Ambulatório de Distúrbios do Movimento do HGF.

Há cerca de 15 anos, o diagnóstico e a orientação de tratamento (medicamentoso) para essas desordens do movimento são realizados pelo Ambulatório, que integra o Serviço de Neurologia do o HGF, chefiado pela Dra. Fernanda Maria Martins. O serviço também faz a aplicação de toxina botulínica (mais conhecida como botox) em indivíduos com distúrbios do movimento específicos.

Os pacientes são assistidos por uma equipe multidisciplinar formada por médico neurologista, psicólogo e fisioterapeuta. O ambulatório do HGF atende a uma média de 30 pacientes por semana, número que sobe para cerca de 60 quando incluídas também as aplicações de botox .

O diagnóstico do Parkinson é clínico, sendo o indivíduo submetido a exames para descartar outras patologias. No Ceará, a falha maior é mais quanto à reabilitação, uma vez que o paciente necessita de tratamento continuado após diagnóstico para assegurar qualidade de vida, o que é feito mediante a aplicação de Pilates e fisioterapia neurológica.

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