QUALIDADE DE VIDA

Leitura humaniza ambiente hospitalar

Na Associação Peter Pan, são promovidos três projetos na área de educação e literatura infantojuvenil

Maria Eloísa, 10 anos, diagnosticada com câncer nos ossos, faz tratamento na Associação Peter Pan. Lá, enquanto aguarda ser atendida para consultas e outros procedimentos, gosta de ler revistas em quadrinhos ( Foto: Helene Santos )
00:00 · 17.02.2018

O sorriso aberto, marca registrada de Maria Eloísa, 10 anos, pode ser atribuído ao universo literário. Ela afirma gostar de ler tirinhas disponibilizadas no hospital e entre as preferências também estão as histórias da menina dentuça e seus amigos. "Meus personagens favoritos são o Cebolinha e a Mônica. Mas eu gosto mais da Mônica, por que ela é amiga de todo mundo", lembra.

Atualmente, Eloísa está afastada das salas de aula. Ela faz tratamento na entidade há 2 anos, quando foi diagnosticada com osteosarcoma, câncer nos ossos que, no seu caso, afeta a região do fêmur.

LEIA AINDA
> A leitura torna o mundo mais colorido
> Nutrição afeta crescimento infantil

A menina alega sentir falta dos estudos e participa das atividades do "ABC + Saúde" para repor parte do conteúdo escolar. Agora, sonha em ser chef de cozinha. "Um dia eu quero ser cozinheira. Tem gente que pergunta o porquê, digo que acho muito bonito".

Doações

Para proporcionar esses sonhos a crianças como Eloísa, os projetos da Associação Peter Pan recebem doações de livros, que variam desde os direcionados à primeira infância, como os interativos, até literatura infantojuvenil.

Exemplares com material mais resistente, a exemplo da capa dura, são utilizados no projeto "Raio de Sol", pois facilitam a higienização necessária. E assim evita-se a infecção cruzada, ou seja, transferência de micro-organismos de uma pessoa (ou objeto) para outra.

Os adorados gibis também são recebidos, mas quando direcionadas aos pacientes internados, as revistinhas de folhas finas tornam-se um presente para a criança devido à utilização única.

Os projetos "Ler faz Bem", "ABC + Saúde" e "Raio de Sol" nasceram na década de 1990, no trabalho voluntário desenvolvido dentro do Hospital Infantil Albert Sabin, mas foram ganhando as formas atuais com o passar dos anos.

Iniciado em 2004, o "ABC + Saúde" ressalta aspectos importantes do ambiente escolar do qual, muitas vezes, o paciente se afasta. A equipe é formada por uma coordenadora, uma psicopedagoga e 15 voluntários.

O "Ler faz Bem", antes conhecido apenas como biblioteca, foi efetivado em 2014. O programa que incentiva a cultura e o lazer também utiliza a leitura como instrumento para melhoria na qualidade de vida dos pacientes. Integram a equipe uma coordenadora e 16 voluntários que se revezam de segunda a sexta-feira.

Já o "Raio de Sol" iniciou as atividades em 2002 e conta com a participação de 100 voluntários. "O atendimento é focado na humanização das condições físicas hospitalares e, principalmente, nas condições emocionais dos pacientes e de seus familiares", afirma Olga Freire, presidente da Associação Peter Pan. (Colaborou Tainã Maciel)

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.