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Jogos eletrônicos: até onde é saudável

Saiba quais doenças (físicas e psicológicas) estão associadas ao uso excessivo de games e como o aplicativo 'JECA' pode ajudar crianças e adolescentes

00:00 · 07.04.2018 por Giovanna Sampaio - Editora

Tudo tem limite e com o uso de jogos eletrônicos não é diferente. Muito pelo contrário. Há sinais clássicos que denunciam o quanto crianças e adolescentes estão se excedendo no hábito e colocando a saúde em risco. É assim quando eles começam a se isolar, ter queda no desempenho escolar, se afastar dos amigos. Isso sem contar na raiva que aflora, juntamente com a tensão e a tristeza, quando o acesso aos jogos é vetado. Uma triste realidade vivenciada tão cedo.

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Foi assim que, com base em sua prática de consultório, a psiquiatra do Hospital Infantil Albert Sabin, Maria Verônica Gomes de Carvalho desenvolveu o aplicativo Jogos Eletrônicos; Conecte-se Adequadamente (JECA), que oferece subsídios para que pais/responsáveis e profissionais que atuam em saúde mental possam identificar o quanto a prática de jogos eletrônicos está sendo prejudicial para os usuários.

Lúdico e necessário

O título JECA, descreve a médica, "faz alusão ao personagem Jeca Tatu de Monteiro Lobato, uma vez que muitos jovens ficam desleixados tamanho é o envolvimento com os games".

Mas a brincadeira se restringe só ao nome. Criada a partir de um projeto de pesquisa do mestrado profissional em saúde da criança e do adolescente da Universidade Estadual do Ceará (Uece), a tecnologia educativa (por meio de um navegador Web e em breve disponível nos sistemas iOS e Android) foi criado para responder a vários questionamentos.

"É frequente observarmos crianças e adolescentes apresentarem dificuldades de se desligar dessa prática. Isso pode ser observado inclusive durante os atendimentos realizados no Hospital Albert Sabin, pois muitos entram no consultório com o celular nas mãos e conectados a algum jogo que esteja disponível no dispositivo móvel. Aos poucos esse tipo de comportamento se tornar mais frequente e houve o consequente aumento da demanda em torno da temática", justifica a médica psiquiatra.

Alerta: dependência

O uso excessivo de jogos eletrônicos envolve um comprometimento global do indivíduo. Em crianças, então, são comuns alterações do sono e do apetite, irritabilidade e dificuldades no âmbito escolar. Já os adolescentes estão mais sujeitos ao isolamento social, ao baixo rendimento escolar e a de ficarem indiferentes à própria aparência. Em ambos, patologias como obesidade, alterações posturais e problemas de visão podem surgir.

Também se descreve a relação entre o uso excessivo de jogos com depressão, ansiedade e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Mas é na dependência que reside a maior preocupação, explica a Dra. Maria Verônica. "Esse tipo de sujeição, assim como outros comportamentos que envolvem um tipo dependência, é provocada pela reação bioquímica no cérebro que libera um neurotransmissor (dopamina), que promove a sensação de prazer, euforia, satisfação. Há quem não consiga viver sem essa descarga de dopamina. Quer jogar mais jogos e por mais tempo".

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